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A amizade que se tornou ajuda para estudantes do Grande Recife que se preparam para o Enem

Criada em 2024, a ONG Sentinelas atua na preparação anual de 60 estudantes do Grande Recife que estudam para o Enem, proporcionando uma formação cidadã para os beneficiários

Por Bartô Leonel

Atualmente, os Sentinelas atendem estudantes a partir do 1º ano do Ensino Médio, sem limite máximo de idade, de Olinda, Paulista e Jaboatão dos Guararapes, com aulas aos sábados.

A preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é sempre um momento importante para todo estudante que pretende ingressar em um ensino superior, com muitos recorrendo a “cursinhos preparatórios”. Porém, nem todas as pessoas conseguem pagar esse tipo de preparação extra para a prova.

Foi pensando nesta dificuldade socioeconômica que um grupo de amigos de Olinda criou, há dois anos, a Organização Não Governamental (ONG) Sentinelas, que proporciona anualmente 60 vagas para um pré-vestibular para estudantes do Grande Recife.

De acordo com o coordenador da ONG, Thomas Crisóstomo, além do cursinho preparatório, que é o principal projeto do grupo, os beneficiários também recebem uma formação cidadã que promove reflexões sobre a relação entre indivíduo, sociedade e estado.

“Começamos com um pequeno grupo de amigos em Olinda que acreditava que era urgente democratizar o acesso ao capital cultural, para que essas pessoas pudessem refletir sobre seu papel social e suas potencialidades. E foi exatamente nessa função que surgiram os ‘sentinelas’, aqueles que percebem o perigo de longe e alertam a comunidade para protegê-la”, iniciou.

“Costumo dizer a todos os beneficiários que todos nós da ONG somos sentinelas, porque, no curso, acessamos conhecimentos que a maioria da população infelizmente não tem. Portanto, temos o dever moral de usar o que sabemos para melhorar nossas comunidades”, explicou Thomas Crisóstomo.

Atualmente, os Sentinelas atendem estudantes a partir do 1º ano do Ensino Médio, sem limite máximo de idade, de Olinda, Paulista e Jaboatão dos Guararapes, com aulas aos sábados.

Dificuldades de manter os Sentinelas

De acordo com o Thomas Crisóstomo, a principal dificuldade da ONG é a questão financeira. Isso fez com que os Sentinelas passassem a cobrar um valor simbólico, que gira em torno dos R$ 30 e R$ 40, para os beneficiários, para pagar o aluguel do espaço onde as aulas são ministradas.

“Vivemos de doações espontâneas de pessoas que reconhecem nosso valor social. Ainda assim, quase sempre precisamos de complementos financeiros que vêm dos próprios associados e voluntários. Porém, mesmo assim, trabalhamos com orçamento restrito, tanto que, este ano, pedimos para os estudantes contribuírem com um valor simbólico destinado integralmente à locação”, explicou.

Além do fator financeiro, que fez o próprio Thomas Crisóstomo complementar o aluguel com valores acima de R$ 600 em alguns meses, a desconfiança de um “interesse político oculto" é outro fator que precisa ser superado pelos voluntários.

Apesar de todas essas dificuldades, a sensação de ampliar os horizontes dos beneficiários faz com que os “Sentinelas” permaneçam firmes e fortes em prol da transformação social dos estudantes.

“O maior benefício para os estudantes é ampliar o horizonte deles e mostrar que, com disciplina e uma rede de apoio, os sonhos são alcançáveis. Tenho a certeza, assim como os outros voluntários, de que não estamos passando pelo mundo "em brancas nuvens", pois estamos usando o que sabemos para melhorar a vida de alguém", destacou.

"Minha maior esperança é que esses alunos cresçam, lembrem-se de que alguém um dia acreditou neles, e façam o mesmo por quem precisar no futuro, criando uma verdadeira rede do bem”, finalizou Thomas Crisóstomo.