° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

"Sensação aterrorizante": mulher mordida por professor em academia no Recife detalha caso

Em entrevista ao Diario de Pernambuco, a mulher pontuou que já vinha sofrendo investidas do professor da academia que ela frequenta

Por Nicolle Gomes

Caso aconteceu no último dia 19 de maio, segundo a vítima

A mulher de 25 anos que denunciou ter sido assediada em uma academia na Zona Norte do Recife descreve a sensação de ser mordida por um instrutor enquanto treinava como “aterrorizante”. O caso aconteceu no último dia 19 de maio.

Em entrevista ao Diario de Pernambuco, nesta sexta (21), a professora de filosofia, que não terá identidade revelada, detalhou como tudo aconteceu na noite daquela quarta-feira.

Ela contou que treinava acompanhada da mãe, que, em determinado momento, foi para o primeiro andar do estabelecimento. Quando a jovem estava sozinha, foi quando tudo aconteceu.

“Ele começou a corrigir o meu exercício. Eu estava segurando uma barra e, quando ele chegou, eu soltei, nem terminei. Ele veio me abraçar, mas eu disse para ele não fazer isso e me retraí, mas ele me puxou, me agarrou, me mordeu. Eu tentei empurrá-lo, mas fiquei sem força. Foi uma sensação aterrorizante, não consegui me soltar”, relembrou.

Depois disso, ela disse que foi quase levada ao chão e pediu para que ele a soltasse. “Não entendi por que ele me abaixou, quase me deitou no chão; foi quando eu disse que não gostei. Logo depois de me levantar, ele fez coraçãozinho para mim”, recordou.

Após isso, ela afirmou que saiu da academia acompanhada da mãe, que teria ficado revoltada com a situação. A vítima compartilhou que só registrou o caso na Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) três dias depois. “Não entendi o que aconteceu, eu fiquei chocada, me achando culpada”, comentou.

A equipe de reportagem teve acesso ao Boletim de Ocorrência (B.O.) registrado em 22 de maio. O caso é investigado como importunação, assédio sexual e lesão corporal. Ainda conforme a professora, após o caso, o instrutor foi bloqueado nas redes sociais e não houve mais contato. Após o registro do B.O., ele foi demitido.

Na terça-feira (19), cerca de três meses após o ocorrido, ela se deparou com instrutor trabalhando na academia. Ao questionar a proprietária sobre a presença dele, recebeu a justificativa de que ele estava cobrindo expediente de outros profissionais. "Daí veio a motivação para denunciar o caso à imprensa", ela contou.

Ela afirmou, ainda, que está com medo de voltar a frequentar academias. “Alguém pode me reconhecer pela minha fala, pelo meu jeito e dizer: ‘Ah, você não devia treinar aqui, ou tentar fazer algo comigo. Eu queria mesmo era treinar em casa, nunca mais passar por essas situações de assédio ou outras”, desabafou.

“Ele insistia”

A docente contou que treinava na unidade há cerca de um ano, quando a mordida aconteceu. Segundo ela, esse episódio foi o ápice de uma conduta do instrutor que já causava estranheza.

“Um colega que também treinava lá comentou que ele só tratava as alunas mulheres bem. E aí eu percebi: vivia sempre cercado de mulheres e aquela gritaria, a intimidade de chegar e abraçar e tocar. Ele tinha atitudes de me agarrar ou arranhar minhas costas, e eu não gostava”, relatou.

Ela acrescenta, ainda, que o instrutor, identificado como Filipe Gomes da Silva, sempre tentava caracterizar os atos como uma brincadeira quando era repreendido.

“Eu disse a ele que eu não gostava e ele insistia. Eu dizia que tinha namorado. Ele me elogiava e eu dizia que contaria para a esposa dele, mas ele dizia ‘que não daria em nada’, pois ‘era resenha’”, comentou.

Outros casos

O Diario teve acesso a outro relato de um caso semelhante ao da professora de filosofia, com o mesmo instrutor e na mesma academia. A outra suposta vítima também terá a identidade preservada.

“Ele constrangia minha amiga, ele chegava perto dela, ficava apalpando, passando a mão nela, falando coisas constrangedoras. Ela dizia que não aguentava mais, que ele a perseguia. E não adiantava falar, pois ele continuava”, afirma o relato.

O que diz a academia

Em nota enviada, a academia afirmou que tomou conhecimento do caso em maio e adotou as providências cabíveis, inclusive demitindo o envolvido. O estabelecimento declarou que prestou assistência à aluna e disponibilizou às autoridades as imagens do circuito interno que registraram o episódio.

A academia, porém, apresentou uma ressalva sobre o retorno do instrutor, que, segundo a instituição, não foi recontratado nem readmitido. O profissional teria sido chamado excepcionalmente para cobrir duas diárias, após o afastamento médico simultâneo de integrantes da equipe e diante de tentativas, sem sucesso, de encontrar substitutos.

Ainda conforme a instituição, antes da cobertura temporária, o antigo funcionário informou à administração que não havia recebido notificação, intimação ou qualquer chamado de autoridade relacionado ao caso. A academia disse que, até aquele momento, não tinha conhecimento de novos desdobramentos formais da investigação.