Quase quatro crianças desaparecem por mês em Pernambuco, segundo SDS
Estado utiliza protocolo Amber Alert, alerta rápido criado para auxiliar na localização de crianças e adolescentes desaparecidos que estejam em situação de risco iminente de morte ou de lesão corporal grave
Pernambuco registrou 27 casos de desaparecimento de crianças nos sete primeiros meses deste ano, segundo dados da Secretaria de Defesa Social (SDS). O número representa uma média de 3,86 casos por mês, ou aproximadamente um desaparecimento a cada oito dias. Do total, 13 crianças foram localizadas.
Uma das ferramentas disponíveis para casos específicos é o Amber Alert, protocolo de alerta rápido criado para auxiliar na localização de crianças e adolescentes desaparecidos que estejam em situação de risco iminente de morte ou de lesão corporal grave.
De acordo com a Polícia Civil, Pernambuco aderiu ao Protocolo Amber Alerts em 2024, por meio de um acordo de cooperação com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a Meta, empresa responsável pelo Facebook e Instagram. O acordo prevê a utilização da ferramenta para responder aos desaparecimentos nas primeiras 24 horas.
O sistema funciona a partir da emissão de um cartaz com a fotografia e informações básicas da criança ou adolescente.
O alerta é distribuído nos feeds de usuários do Facebook e Instagram que estejam em um raio de até 160 quilômetros do local onde ocorreu o desaparecimento. A publicação pode permanecer ativa por até 24 horas ou ser cancelada antes, caso a pessoa seja localizada.
O acionamento, no entanto, não ocorre automaticamente em todo desaparecimento. O caso precisa atender aos critérios definidos pelo protocolo. Entre eles estão o desaparecimento de uma criança ou adolescente, a existência de risco iminente de morte ou lesão corporal grave e a disponibilidade de informações e fotografias que possam contribuir para a localização.
A ferramenta é considerada um recurso complementar às investigações. A Polícia Civil continua responsável pelo registro da ocorrência, pela apuração do caso, realização de diligências e definição das medidas necessárias para a localização.
Dados de desaparecidos no estado
De janeiro a julho de 2025, foram registrados 28 casos de crianças desaparecidas e 17 localizações. A quantidade de desaparecimentos caiu 3,57% neste ano. Já o número de crianças localizadas passou de 17 para 13. Em todo o ano passado, Pernambuco contabilizou 60 casos de desaparecimento de crianças, com 34 localizações.
Um dos casos mais recentes foi o de um menino de 11 anos, que desapareceu na manhã desta segunda-feira (17), em Paulista, na Região Metropolitana do Recife. O menino saiu de casa com um carrinho de mão para colocar o lixo na rua. Depois de fazer a primeira viagem, voltou para buscar o restante e não foi mais visto.
O desaparecimento mobilizou familiares e moradores do local. Durante a noite, um protesto da comunidade interditou a PE-1. O menino foi localizado por volta das 22h42, na orla de Olinda.
O desaparecimento mobilizou familiares e moradores do local. Durante a noite, um protesto da comunidade interditar a PE-1. O menino foi localizado por volta das 22h42, na orla de Olinda.
Em nota, a PCPE informou que a criança de 11 anos foi localizada por populares ainda na própria segunda-feira (17), em Olinda. As buscas foram iniciadas imediatamente após o registro do Boletim de Ocorrências (BO), na tarde do mesmo dia, na Delegacia de Polícia de Crimes Contra a Criança e Adolescentes e Atos Infracionais de Paulista (DPCCAI).
A Polícia Militar esteve no local e permaneceu com o menino até a chegada dos familiares. Conforme a Polícia Civil, a corporação mantém uma atuação permanente na investigação e localização de crianças e adolescentes desaparecidos. O trabalho é realizado pelo Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA), que possui estrutura especializada para o acompanhamento desses casos.
Dentro do departamento, o Setor de Desaparecidos reúne informações, realiza diligências e articula recursos para auxiliar na localização das pessoas.
A ocorrência pode ser registrada em qualquer delegacia da Polícia Civil. A orientação é que o desaparecimento seja comunicado imediatamente. Não é necessário esperar 24 ou 48 horas para registrar o caso.
A recomendação é que os familiares apresentem o máximo possível de informações, como uma fotografia recente e de boa resolução, características físicas, roupas usadas pela criança ou adolescente, horário e local onde foi vista pela última vez e outros dados que possam ajudar na investigação.
O que fazer em caso de desaparecimento
A Polícia Civil reforça que a família não deve esperar para comunicar o desaparecimento. O registro pode ser feito imediatamente em qualquer delegacia.
A Lei Federal nº 13.812/2019 estabelece a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas e considera desaparecida a pessoa cujo paradeiro seja desconhecido, independentemente da causa, até que seja localizada e identificada.
Além do registro da ocorrência, familiares devem fornecer informações que possam acelerar as buscas. Uma fotografia atualizada, por exemplo, é importante tanto para a investigação quanto para eventual utilização do Amber Alert.
Nos casos em que houver possibilidade de acionamento do protocolo, também são avaliados o caráter recente e não voluntário do desaparecimento, a situação de risco iminente, a existência de fotografia e a autorização dos responsáveis para divulgação da imagem.