Olinda é 3ª cidade do Brasil com maior proporção de área urbanizada, diz IBGE
Estudo do IBGE mostra ainda que Pernambuco tem proporção de áreas urbanizadas superior à média nacional e à do Nordeste
Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Olinda é o terceiro município brasileiro com a maior proporção do território ocupado por feições urbanizadas. Em 2022, 96,36% dos 41,3 km² da cidade estavam classificados nessa condição. O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (18).
O percentual só ficou abaixo dos registrados por São Caetano do Sul (SP), com 100%, e São João de Meriti (RJ), com 99,99%, segundo o estudo Áreas Urbanizadas do Brasil 2022, do IBGE.
Em Olinda, as feições urbanizadas ocupavam 39,80 km² de um território oficial de 41,30 km². Desse total, 34,33 km² eram classificados como áreas densas e 5,47 km² como áreas pouco densas. O município não registrou loteamentos vazios no mapeamento de 2022.
Na metodologia do IBGE, o conceito de Feições Urbanizadas não se limita às áreas construídas por moradias e o indicador reúne três componentes, sendo eles áreas urbanizadas, outros equipamentos urbanos e vazios intraurbanos.
As áreas urbanizadas correspondem principalmente à malha urbana ocupada por edificações e infraestrutura. Os outros equipamentos incluem estruturas como universidades, aeroportos, portos, shopping centers e instalações industriais. Já os vazios intraurbanos são espaços não ocupados por construções dentro do tecido urbanizado.
O levantamento também mostra que a elevada proporção de Olinda faz parte de um padrão observado principalmente em municípios inseridos em grandes concentrações urbanas. Todos os 20 municípios com as maiores proporções de feições urbanizadas em 2022 pertenciam a Grandes Concentrações Urbanas, segundo o IBGE.
Recife
Outro município pernambucano aparece entre os 20 primeiros do ranking nacional. Recife ocupava a 16ª posição, com 66,02% de seu território coberto por feições urbanizadas. Dos 144,49 km² de área oficial da capital, 139,89 km² correspondiam a áreas densas e 4,61 km² a áreas pouco densas. Não foram identificados loteamentos vazios no município em 2022.
O resultado indica uma diferença entre os dois municípios, pois, mesmo Recife tendo uma área urbanizada proporcionalmente menor que a de Olinda, a capital possui uma densidade mais predominante. O estudo aponta que a ausência de loteamentos vazios e a forte concentração de áreas densas são características de um espaço urbano consolidado, com pouca disponibilidade para expansão horizontal.
A presença de Olinda e Recife no grupo dos municípios com maior proporção de feições urbanizadas também aponta para a intensa ocupação de municípios com territórios relativamente pequenos na RMR. No ranking nacional, outros municípios de áreas reduzidas também aparecem nas primeiras posições, como São Caetano do Sul, São João de Meriti, Carapicuíba e Osasco.
Pernambuco
O cenário observado em Olinda está inserido em uma realidade mais ampla de Pernambuco. Em 2022, o estado possuía 1.611,30 km² de feições urbanizadas, o equivalente a 3,16% de todas as feições identificadas no Brasil. Essa área correspondia a 1,64% do território pernambucano, proporção significativamente superior à média brasileira, de 0,60%, e também acima da média do Nordeste, de 0,80%.
Pernambuco concentrava, ainda, aproximadamente 13% de toda a área de feições urbanizadas do Nordeste. A região tinha 12.402,17 km² desse tipo de ocupação em 2022, enquanto o estado respondia por 1.611,30 km².
A estrutura urbana pernambucana era majoritariamente composta por áreas densas. Dos 1.611,30 km² de feições urbanizadas mapeadas no estado, 1.163,18 km² eram áreas densas e 448,11 km², áreas pouco densas. Na prática, cerca de 72% das feições urbanizadas de Pernambuco estavam na categoria de maior concentração de edificações, contra aproximadamente 68% no Nordeste.
A classificação de áreas pouco densas, por outro lado, ajuda a mostrar que o processo de ocupação do território não está totalmente encerrado. Segundo o IBGE, a presença desse tipo de feição pode estar associada à continuidade da expansão urbana.
Além das áreas já urbanizadas, Pernambuco possuía 139,71 km² de loteamentos vazios em 2022. São áreas parceladas e preparadas para uma futura ocupação, mas que ainda apresentavam baixa presença de edificações.
O volume pernambucano era inferior ao registrado na Bahia, que tinha 451,22 km², e no Ceará, com 234,01 km². Ainda assim, representava cerca de 11% de todos os loteamentos vazios identificados no Nordeste.
No Brasil inteiro, os loteamentos vazios somavam 2.943,46 km² em 2022. O Nordeste concentrava 1.274,82 km², ou 43,31% do total nacional, sendo a região com maior extensão dessa categoria.
Urbanização avançou
A comparação entre os dois mapeamentos mais recentes do IBGE também mostra que o tecido urbano pernambucano continuou avançando. Entre 2019 e 2022, o estado respondeu por 3,63% da expansão nacional de feições urbanizadas e loteamentos vazios.
Considerando apenas as áreas urbanizadas, a expansão horizontal em Pernambuco chegou a 131,66 km², a proximadamente 3% de todo o crescimento registrado no país nessa categoria.
No mesmo período, o Nordeste apresentou a maior expansão absoluta de feições urbanizadas e loteamentos vazios entre as grandes regiões brasileiras, com 1.961,44 km², equivalente a um crescimento de 16,52%. No Brasil, o aumento foi de 5.954,99 km², ou 12,27%, entre 2019 e 2022.
Quando considerada somente a expansão das áreas urbanizadas, o Nordeste também liderou, com 1.362,26 km² de crescimento no período, à frente do Sudeste, que registrou 1.190,22 km².
Em Pernambuco, as áreas urbanizadas propriamente ditas somavam 1.553,71 km² em 2022. Outros equipamentos urbanos ocupavam 39,52 km² e os vazios intraurbanos, 18,07 km². Entre 2019 e 2022, houve expansão de 131,66 km² nas áreas urbanizadas, de 8,67 km² nos outros equipamentos urbanos e de apenas 0,99 km² nos vazios intraurbanos.
Caruaru
Caruaru, no Agreste, aparece entre os municípios brasileiros que mais ampliaram sua mancha urbana no período analisado.
A cidade registrou expansão horizontal de 17,36 km² de feições urbanizadas entre 2019 e 2022, ficando na 12ª posição entre os municípios brasileiros com maior crescimento nessa categoria.
O levantamento
O estudo do IBGE é baseado na interpretação de imagens de satélite e busca representar e mensurar a distribuição e a expansão do fenômeno urbano no território brasileiro. O mapeamento tem abrangência nacional e contempla todos os municípios.
A edição de 2022 é a quarta da série iniciada em 2015 e utiliza imagens com resolução espacial de quatro metros, além de critérios metodológicos atualizados.
No entanto, o indicador não representa diretamente a parcela da população que vive em áreas urbanas nem equivale simplesmente à taxa de urbanização demográfica. Trata-se de uma leitura morfológica do território que mostra onde e como o espaço urbano está materializado na paisagem.