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Mulher ferida em desabamento no HR volta à unidade após piora do ferimento no braço atingido

Maria José de Lima, de 61 anos, estava recém-operada quando foi atingida no braço cirurgiado pelo desabamento parcial do teto do Hospital da Restauração

Por Marília Parente

Idosa voltou ao HR após braço apresentar piora

A paciente Maria José de Lima, de 61 anos, precisou voltar ao Hospital da Restauração (HR), no Recife, após apresentar piora no ferimento no braço atingido pelo desabamento parcial do teto da unidade. Ela havia sido submetida a uma cirurgia no braço quatro dias antes do acidente e estava na sala de recuperação quando parte do teto caiu sobre ela.

Segundo a filha da paciente, Ana Kelly de Lima, Maria José passou por uma nova cirurgia no braço nesta quinta-feira (13), após o ferimento apresentar agravamento. Ela permanece internada no sétimo andar do Hospital, onde, de acordo com a família, ainda aguarda uma avaliação da equipe de cirurgia vascular.

“Ela fez ontem uma cirurgia no braço e está enfaixada. Até agora o médico não chegou para falar nada. O médico vascular que acompanha ela”, relatou Ana Kelly.

Maria José é paciente renal crônica e realiza hemodiálise. Segundo a filha, ela recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e enfrenta problemas de saúde desde a infância, incluindo um quadro de anemia grave. Há algum tempo, precisou colocar uma fístula no braço para realizar as sessões de hemodiálise, mas passou a apresentar sangramentos frequentes no local.

“Ela começou a fazer hemodiálise e colocou uma fístula no braço. Começou a sangrar muito. Toda vez que fazia hemodiálise, acabava sangrando muito e eu corria várias vezes para o hospital”, contou.

Diante da recorrência dos sangramentos, Maria José foi encaminhada ao Hospital da Restauração para corrigir o problema na fístula. A cirurgia foi realizada no dia 25 de julho e, segundo a filha, ocorreu bem.

Quatro dias depois, em 29 de julho, Maria José estava na sala de recuperação quando ocorreu o desabamento parcial do teto. De acordo com Ana Kelly, a mãe ouviu estalos e tentou proteger o corpo, mas acabou atingida justamente no braço que havia passado pela cirurgia.

“O pior foi o braço. Abriu a cirurgia e esmagou a fístula”, afirmou. Com o comprometimento da fístula, Maria José precisou passar a utilizar um cateter implantado na coxa para realizar a hemodiálise. As sessões, segundo a filha, seguem ocorrendo às terças, quintas e sábados.

Perda de força

Ana Kelly afirma que a mãe perdeu completamente a força no braço atingido e não consegue mais segurar objetos. A família teme que parte do tecido esteja necrosada.
“Ela não consegue segurar nada, perdeu totalmente a força. A gente tem medo. Dizem que a área preta na ferida é carne morta, que vai cair e depois recompor”, relatou.

Maria José está consciente e conversa com os familiares, mas, segundo a filha, ficou muito abalada após o acidente. Ela evita olhar para o ferimento durante os curativos.
“Ela tem medo também. Não gosta nem de olhar quando fazem o curativo, vira o rosto”, contou Ana Kelly.

A paciente também teria sido colocada em um quarto onde ainda há problemas estruturais. Segundo a filha, existe um trecho do teto danificado e rachaduras no ambiente. Por medo de que novos pedaços desabassem, a família pediu a mudança da cama de Maria José dentro do quarto.

“Ela está muito abalada psicologicamente. No outro quarto também está faltando um pedaço do teto e está rachado. Tiveram que trocar a cama dela de lugar por conta do medo”, disse.

A filha afirma ainda que a família aguarda informações mais detalhadas dos médicos sobre a situação do braço e sobre os próximos procedimentos que deverão ser realizados.

Desabamento

O desabamento parcial ocorreu no Hospital da Restauração no dia 29 de julho. Maria José estava recém-operada e foi uma das pessoas atingidas pelos escombros. O acidente ocorreu enquanto ela se recuperava do procedimento realizado no braço para tratar a fístula utilizada na hemodiálise.

A reportagem procurou a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco para questionar o estado de saúde da paciente, os procedimentos realizados após o agravamento do ferimento, a avaliação da equipe vascular e as condições estruturais do quarto onde ela está internada. O posicionamento será acrescentado ao texto.