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Alistamento feminino: voluntárias se apresentam até a próxima terça (11) no Recife

Este é o segundo ano do alistamento feminino voluntário no Brasil. Medida representa uma evolução na integração feminina nas Forças Armadas. Em 2025, 1.470 mulheres se alistaram para o Exército em Pernambuco

Por Nicolle Gomes

Prazo de apresentação das voluntárias alistadas é até a próxima terça (11)

O alistamento feminino de 2026 atraiu 920 jovens pernambucanas, que devem se apresentar até a próxima terça-feira (11), no prédio da Comissão de Seleção Permanente das Forças Armadas (CSPFA), em Santo Amaro, no Centro do Recife.

Desde a última segunda (3), as garotas voluntárias para o Serviço Militar Inicial Feminino (SMIF) têm comparecido para passar pelo processo de seleção e aptidão. É o caso da estudante Vivyanni da Silva, de 18 anos. Moradora do Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife, ela foi umas das candidatas que compareceu nesta quarta (5) para a apresentação.

“Isso para mim foi um sonho. Desde criança, sempre tive essa vontade. Nunca tive apoio de ninguém. Na minha família, ninguém é militar. Nasci com essa vontade e sempre quis, e estou aqui lutando. Já fiz vários cursos, nunca me adaptei, e pensei em tentar ser militar”, compartilhou, em entrevista ao Diario de Pernambuco.

Ela também comentou sobre a importância das oportunidades para mulheres dentro das Forças Armadas.

“Graças a Deus, estou tranquila, fomos bem recepcionadas, com muita educação, e estou amando. De uns anos para cá, tivemos as mulheres conseguindo ocupar todos os espaços. E lugar de mulher é onde ela quiser. Podemos fazer o que a gente quiser, estamos aptas para tudo”, disse, entusiasmada.

Alistamento

Este é o segundo ano do alistamento feminino voluntário no Brasil. Em 2025, 1.470 jovens se alistaram, 550 a mais do que neste ano. Puderam se inscrever apenas meninas que completam 18 anos de idade até o dia 31 de dezembro de 2026.

“Normalmente, o começo, o inédito, é uma coisa vista com outros olhos. Essa diferença de númetos de um ano para o outro, eu não vejo outra explicação a não ser o ineditismo”, comenta o Chefe da Comissão de Seleção Permanente das Forças Armadas (CSPFA), Tenente-Coronel Obara.

Segundo ele, as meninas que estão comparecendo ao CSPFA, no Recife, passarão por testes de aptidão. Elas preenchem formulários com dados e passam por oficinas odontológicas, médicas e uma entrevista. Só segue no processo quem for considerada apta nas três fases.

“Se estiver apta nas três oficinas, ela passa para a terceira fase do alistamento: a designação. Nada mais é a jovem designada para realizar a seleção complementar já no quartel onde ela poderá servir”, acrescenta.

Ao todo, 75 garotas serão selecionadas e incorporadas ao Exército no Recife em março: 53 serão destinadas para o Batalhão de Infantaria do Curado e 22 para o Colégio Militar de Recife. Vale pontuar que, até a incorporação, seguir no processo é facultativo. Após a integração, passa a ser um serviço obrigatório.

Ainda de acordo com o Tenente-Coronel Obara, o processo de alistamento feminino só difere do masculino nos Testes de Aptidão Física (TAF), especificamente nos índices de corrida, abdominal e flexão de braço.

Representatividade

A primeira vez em que mulheres puderam se alistar voluntariamente foi em 2025, após 377 anos de história do Exército Brasileiro. Um passo importante para a agregação de gênero em um espaço historicamente ocupado por homens.

A soldado Cecília Yasmim, de 18 anos, faz parte do primeiro grupo de voluntárias alistadas e incorporadas ao Exército no Recife. Ela contou ao Diario estar vivendo um sonho e destacou a importância desta oportunidade.

“É um sentimento sem igual ver as meninas querendo tentar seguir a carreira militar no Exército, e o Exército abrindo portas para nós. É incrível sentir essa emoção”, relatou.

Além de um sonho, estar no Exército virou uma realização familiar, ela acrescentou Cecília. “Eu sou a primeira militar da família. Porque meu pai se alistou, mas não seguiu. Então, quero ser a primeira militar e passar os 8 anos, se Deus quiser. É uma emoção minha e da minha família”, finalizou.

Ampliação

No Recife, ainda não é possível que as meninas se alistem para a Marinha ou Aeronáutica, por questões estruturais. A segundo-sargento Ana Rosely detalhou que a expectativa é que em breve haja essa possibilidade.

“Nós estamos nos adequando justamente à questão de instalação, para que a gente receba da melhor forma possível essas meninas nas Forças Armadas. O Exército já é preparado para recebê-las, mas, a partir de 2028, a Aeronáutica e a Marinha também serão”, explicou.

Ela destacou o interesse das jovens que têm se apresentado na Comissão e a importância da incorporação feminina.

“É de grande importância a inserção de mulheres nas Forças Armadas, e para mim, fazer parte disso é um prazer inenarrável. Estamos cada vez mais conquistando o nosso espaço na sociedade e que isso siga avançando cada vez mais. Elas estão bastante empolgadas e felizes para esse novo começo na nossa sociedade”, finalizou.