Turista ofende trabalhadores após confusão por aluguel de caiaque em Muro Alto
Vídeos mostram discussão iniciada após desentendimento sobre a devolução do equipamento. Associação nega envolvimento de barraqueiros
Um turista se envolveu em uma confusão na tarde desta segunda-feira (3), na Praia de Muro Alto, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco, e foi filmado fazendo ofensas contra os trabalhadores. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o homem discutindo com funcionários da praia após um desentendimento envolvendo a devolução de um caiaque alugado.
De acordo com a advogada da Associação dos Barraqueiros de Porto de Galinhas, Sueyde Rocha, a confusão começou após o turista se recusar a devolver o equipamento no horário combinado.
Uma funcionária do estabelecimento onde o locador costuma atuar, que preferiu não se identificar, relatou ao Diario de Pernambuco que o caiaque foi alugado por um período de 30 minutos. Conforme ela, o cliente retirou o equipamento por volta das 11h36 e deveria devolvê-lo às 12h06. Ela afirma, no entanto, que o responsável pela locação ainda concedeu alguns minutos de tolerância antes de sinalizar que o tempo havia terminado.
Ainda segundo a funcionária, o turista alegou que havia começado a utilizar o caiaque havia pouco tempo porque a chuva atrasou o passeio. Ela afirma que o período de locação é contabilizado a partir da retirada do equipamento, independentemente do momento em que o cliente entra no mar.
A funcionária contou que, ao retornar à faixa de areia, o turista passou a xingar o responsável pelo aluguel do caiaque e deixou o local em direção ao resort onde está hospedado. Poucos minutos depois, outro homem, apontado como familiar do turista, retornou ao local exaltado, cobrando explicações e dando início a uma nova discussão.
De acordo com a funcionária, esse segundo homem teria ameaçado trabalhadores da praia enquanto procurava o responsável pela locação. Ela afirma que o locador tentou explicar o ocorrido, mas não conseguiu conversar devido ao clima de tensão.
Ainda conforme o relato, outros trabalhadores que estavam nas proximidades se aproximaram para impedir que houvesse agressões físicas. A funcionária afirmou que, durante a confusão, um dos envolvidos fez ofensas aos trabalhadores e também proferiu comentários preconceituosos contra os nordestinos.
Um segundo vídeo da ocorrência mostra um homem tentando agredir um trabalhador durante a discussão. Nas imagens, ele também aparece fazendo ofensas às pessoas que estavam no local e afirmando que “nordestino é tudo petista”.
Sueyde Rocha também negou que os barraqueiros tenham participado da ocorrência. “O turista não estava na barraca, não estava consumindo nada lá. A confusão aconteceu porque o rapaz que aluga os equipamentos fica naquele local todos os dias. As pessoas da barraca, inclusive, tentavam apaziguar a situação”, disse.
A funcionária ouvida pelo Diario de Pernambuco afirmou que a confusão assustou clientes que almoçavam nas barracas da praia e interrompeu o atendimento no local. Segundo ela, até o encerramento do expediente, não havia conhecimento de que alguma autoridade tivesse comparecido para atender à ocorrência.
Caso em Porto de Galinhas
A confusão registrada nesta segunda-feira ocorre cerca de oito meses após outro episódio de violência que repercutiu nacionalmente em Porto de Galinhas. Em dezembro de 2025, dois turistas de Mato Grosso foram agredidos por comerciantes da praia após uma discussão sobre o valor cobrado pelo aluguel de cadeiras e guarda-sol.
Segundo relataram as vítimas, o serviço havia sido negociado por R$ 50, caso não houvesse consumo de alimentos. No momento do pagamento, porém, o valor cobrado passou para R$ 80, o que deu início ao desentendimento. Os comerciantes, por outro lado, sustentaram que a cobrança estava correta e afirmaram que a confusão começou depois que um funcionário foi agredido por um dos turistas.
Vídeos gravados por testemunhas mostraram os turistas sendo cercados e agredidos com socos e chutes por vários homens, mesmo quando tentavam deixar o local em um veículo dos salva-vidas.
Após o episódio, a Polícia Civil identificou pelo menos 14 pessoas suspeitas de participação nas agressões. A Prefeitura de Ipojuca interditou, por uma semana, a barraca onde a confusão teve início, afastou preventivamente os funcionários envolvidos e anunciou o reforço da fiscalização na orla, incluindo ações para coibir práticas irregulares, como venda casada e cobrança de consumação mínima.