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Coren-PE identifica irregularidades em Caps e hospital de Abreu e Lima

Inspeção apontou problemas estruturais, ausência de responsável técnico de enfermagem e déficit de profissionais; relatório será enviado à Prefeitura e ao MPPE

Por Diario de Pernambuco

Coren-PE identifica problemas estruturais e déficit de profissionais em unidades de saúde de Abreu e Lima

O Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco (Coren-PE) identificou irregularidades durante uma fiscalização realizada, na quinta-feira (30), no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD), no bairro do Timbó, e no Hospital e Maternidade de Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife.

Segundo o órgão, foram constatados problemas estruturais, subdimensionamento da equipe de enfermagem e ausência de responsáveis técnicos nas duas unidades.

De acordo com o Coren-PE, a situação mais crítica foi encontrada no Caps AD. A fiscalização apontou condições consideradas inadequadas na cozinha e na despensa utilizadas para o armazenamento de alimentos destinados aos pacientes. O conselho também informou que a unidade não possui responsável técnico de enfermagem e atende atualmente 59 pacientes.

“Quanto à questão estrutural, a situação era de total calamidade e risco aos pacientes atendidos na unidade. Além disso, não identificamos planejamento da equipe de enfermagem, muito menos documentos gerenciais, que poderiam nortear uma assistência segura e de qualidade”, afirmou Lilian Carvalho, chefe da Divisão do Departamento de Fiscalização da sede do Coren-PE.

No Hospital e Maternidade de Abreu e Lima, os fiscais relataram déficit no quadro de profissionais de enfermagem, ausência de responsável técnico e casos de desvio de função, com profissionais exercendo atividades que, segundo o conselho, não fazem parte de suas atribuições.

Ainda segundo o Coren-PE, apesar do nome da unidade, o hospital não realiza partos. Os serviços obstétricos estão suspensos e apenas procedimentos de laqueadura são realizados em um dia da semana. Atualmente, a unidade atende casos de emergência para adultos e crianças, realiza cirurgias oftalmológicas e pequenos procedimentos cirúrgicos, somando cerca de 5,4 mil atendimentos por mês.

“A unidade sofre com a falta de uma coordenação de enfermagem (RT), o que pode provocar problemas na assistência, uma vez que não há uma organização clara quanto à atuação dos profissionais. Além disso, encontramos pequenos problemas estruturais, como salas com cheiro de mofo e infiltrações. Outro problema relevante é em relação à atividade divergente desempenhada pela equipe de enfermagem entre 0h e 6h", disse Lilian Carvalho.

Ainda de acordo com ela, a "farmácia da unidade fica sob responsabilidade de um profissional da enfermagem, o que compromete a assistência prestada e sobrecarrega a equipe. Além disso, os profissionais nos procuraram para denunciar que estão há oito anos sem reajuste e alguns não recebem o adicional de insalubridade."

O Coren-PE informou que as duas unidades já haviam sido fiscalizadas em maio deste ano, quando foram identificadas irregularidades semelhantes e a Secretaria Municipal de Saúde foi notificada para adotar providências.

Diante da permanência dos problemas apontados, um novo relatório será encaminhado à gestão municipal e ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE).