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Casal que vive nos EUA descobre fraude e perde imóvel de R$ 4,5 milhões em Ipojuca

Polícia Civil investiga grupo suspeito de usar documentos falsos e cartórios de diferentes estados para transferir propriedades de forma ilegal

Por Diario de Pernambuco

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Um casal de proprietários que mora nos Estados Unidos descobriu que um terreno avaliado em cerca de R$ 4,5 milhões, localizado em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco, havia sido transferido para outra empresa sem autorização enquanto tentava colocar o imóvel à venda. O caso deu origem a uma investigação da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), que aponta a atuação de uma associação criminosa especializada em fraudes imobiliárias.

Na terça-feira (21), a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão durante a Operação Escritura Fria, coordenada pela Delegacia de Ipojuca. Os investigados são suspeitos dos crimes de estelionato, falsificação de documento público e falsidade ideológica.

As investigações começaram em março deste ano, depois que a advogada do casal procurou a delegacia para denunciar a fraude. Segundo a polícia, os proprietários descobriram que o terreno já constava registrado em nome de uma empresa e permanecia anunciado no mercado imobiliário, apesar de nunca terem autorizado a negociação.

De acordo com a delegada Letícia Moreira, responsável pelo caso, a investigação revelou um esquema estruturado para dar aparência de legalidade às transações fraudulentas.

“Quando a advogada constatou que o imóvel já estava registrado em nome de outra empresa, iniciamos uma investigação para entender como aquela negociação havia sido formalizada. Ao longo das diligências, identificamos uma associação criminosa que utilizava documentos falsos e diferentes cartórios para dar legitimidade às fraudes e dificultar a fiscalização”, afirmou.

A apuração identificou que a suposta compra e venda do terreno foi baseada em uma procuração falsa produzida em outro estado. O documento passou por perícia do Instituto de Criminalística, que confirmou que a assinatura de uma das vítimas havia sido falsificada.

Segundo a delegada, a investigação mostrou que o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas entre os envolvidos para viabilizar a fraude.

“No início, não imaginávamos a dimensão da fraude. À medida que aprofundamos as investigações, identificamos o envolvimento de diversos integrantes, entre eles pessoas que atuavam em diferentes etapas da cadeia documental. O grupo fragmentava os atos em cartórios distintos justamente para dificultar a identificação da fraude e conferir aparência de legalidade aos registros”, explicou.

A Polícia Civil também apurou que um dos documentos usados na negociação fraudulenta foi emitido em um cartório no Rio Grande do Norte. Conforme a investigação, um dos suspeitos possui vínculo familiar com o tabelião da unidade, o que levanta a suspeita de que essa relação tenha facilitado a emissão da documentação falsa posteriormente utilizada para registrar a transferência do imóvel em Pernambuco.

A operação foi deflagrada para reunir provas contra os investigados e as apurações continuam. A expectativa é identificar outros integrantes do grupo, verificar se o mesmo esquema foi empregado em negociações de outros imóveis e localizar novas vítimas.

Na esfera cível, o terreno ainda permanece registrado em nome da empresa que recebeu a propriedade por meio da transação considerada fraudulenta. Os proprietários tentam reverter a transferência na Justiça, e a Polícia Civil acredita que as provas obtidas durante a investigação poderão contribuir para a restituição do imóvel.