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Ninho de tartarugas é violado e filhotes desaparecem em praia de Itamaracá

Instituto Itamaracá Preservada afirma que local foi adulterado para simular uma saída natural dos animais

Por Adelmo Lucena

Filhotes de tartaruga eram monitorados por ONG em Itamaracá

O desaparecimento de dezenas de filhotes de tartarugas marinhas de um ninho monitorado mobilizou ambientalistas e causou indignação na Ilha de Itamaracá, no Litoral Norte de Pernambuco. O Instituto Itamaracá Preservada denunciou que os animais foram retirados ilegalmente da praia de Jaguaribe, na manhã desta sexta-feira (3).

O caso aconteceu poucas horas antes da abertura programada do ninho, que seria acompanhada por estudantes das redes municipal e estadual de ensino e pela cantora Lia de Itamaracá como parte de uma atividade de educação ambiental.

Segundo a ONG, o ninho vinha sendo monitorado desde a postura dos ovos. Na tarde da quinta-feira (2), uma equipe realizou uma vistoria e constatou que os filhotes ainda estavam em processo de eclosão, sem condições de seguir naturalmente para o mar.

Como medida de proteção, os técnicos instalaram uma tela sobre o ninho para impedir que os filhotes emergissem durante a noite e fossem desorientados pela iluminação das residências próximas.

Ao retornar ao local na manhã desta sexta, a equipe encontrou a área aparentemente preservada, com a tela na posição em que havia sido deixada. No entanto, ao iniciar a abertura do ninho, constatou que todos os filhotes haviam desaparecido.

De acordo com Layra Lima, integrante do Instituto Itamaracá Preservada, os indícios encontrados descartam uma saída natural dos animais.

“Quando retornamos hoje, a área estava aparentemente intacta: a tela posicionada corretamente. Porém, ao escavar, percebemos a ausência dos filhotes e sinais claros de interferência humana. A tela estava danificada, com rasgos que não existiam antes, e todo o cenário indicava que alguém abriu o ninho, retirou os filhotes e reorganizou o local para simular que nada havia acontecido.”

Ainda segundo ela, o comportamento observado não é compatível com o ciclo natural de nascimento das tartarugas. “Os filhotes não têm capacidade de rasgar a tela, nem sairiam todos por um único ponto deixando o ninho vazio dessa forma. Diante de todos esses indícios, concluímos que os filhotes foram retirados de forma ilegal.”

Em nota de repúdio, o instituto afirmou que a atividade, que deveria celebrar o nascimento dos animais e conscientizar estudantes sobre a preservação ambiental, terminou em frustração.

A ONG também informou que a quantidade de cascas e ovos remanescentes encontrada no local era incompatível com o que havia sido registrado durante a vistoria realizada no dia anterior, reforçando a suspeita de intervenção humana.

O instituto registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Itamaracá e informou que comunicará o caso à Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A entidade ressalta que a captura, o transporte e o manejo de animais silvestres sem autorização constituem crimes ambientais, especialmente quando envolvem espécies ameaçadas de extinção, como as tartarugas marinhas.

A Polícia Civil de Pernambuco informou que as investigações foram instauradas e seguem até o esclarecimento do caso.

A Secretaria de Meio Ambiente de Itamaracá informou que tomou conhecimento da retirada ilegal de filhotes de tartaruga marinha por meio da publicação sobre o caso e afirmou que, até o momento, não havia sido oficialmente comunicada.

A pasta disse que está à disposição para colaborar com as investigações, reforçou o compromisso com a proteção da fauna marinha e defendeu a responsabilização dos envolvidos, além de destacar a importância da conscientização ambiental.