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Metrô do Recife tem nova paralisação na Linha Sul em meio à crise operacional

Circulação foi suspensa, nesta quinta (2), após falha na rede aérea, enquanto sistema soma sucessivos problemas e concessão à iniciativa privada volta ao centro das discussões.

Por Adelmo Lucena

O Metrô do Recife, no bairro de São José

A circulação do Metrô do Recife voltou a ser interrompida na tarde desta quinta-feira (2), em mais um episódio da crise enfrentada pelo sistema ferroviário da Região Metropolitana. Desta vez, a paralisação ocorreu após um problema na rede aérea entre as estações Porta Larga e Prazeres, na Linha Sul.

Segundo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), a falha foi registrada às 15h20. A circulação dos trens foi suspensa e todas as estações foram fechadas. Equipes de manutenção foram acionadas para reparar o dano, mas, até a última atualização, não havia previsão para o restabelecimento da operação.

A nova interrupção acontece poucos dias após outra paralisação total da Linha Sul. Na segunda-feira (29), a CBTU suspendeu a circulação por falta de trens disponíveis para operação. Dos sete trens da linha, cinco estavam parados para manutenção, situação que, segundo a companhia, provocou pela primeira vez a interrupção completa do serviço por insuficiência de composições. A operação só foi normalizada na terça-feira (30).

A crise do metrô também foi marcada por outros episódios recentes. No dia 15 de junho, a Linha Centro sofreu o segundo descarrilamento em menos de uma semana. O acidente aconteceu entre as estações Alto do Céu e Curado e provocou a paralisação do Ramal Camaragibe, além de afetar o Ramal Jaboatão por causa de um problema elétrico.

Dias antes, em 11 de junho, o metroviário Tiago Barbosa dos Santos, de 40 anos, morreu após sofrer um choque elétrico durante um serviço de manutenção na rede aérea, nas proximidades da Estação Tejipió. O Sindicato dos Metroviários de Pernambuco informou, na ocasião, que foi o primeiro acidente fatal envolvendo um trabalhador em serviço na história do Metrô do Recife.

Enquanto enfrenta sucessivas falhas operacionais, a CBTU também lida com o atraso na entrada em operação de novas composições. O primeiro dos seis trens seminovos adquiridos junto ao Metrô de Belo Horizonte ainda não começou a circular por causa de pendências na documentação e na etapa de montagem e testes.

O trem foi entregue em maio e tinha previsão de entrar em operação até o dia 20 de junho. Com 24 anos de uso e sem ar-condicionado, a composição custou R$ 10 milhões. A CBTU também negocia a transferência de outras cinco composições, que poderão elevar para 11 o total de trens enviados de Belo Horizonte ao Recife.

Concessão foi debatida em seminário

A situação do sistema metroviário e o projeto de concessão à iniciativa privada também estiveram no centro de um seminário promovido pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE), realizado na terça-feira (30).

Durante o encontro, especialistas apresentaram estudos técnicos encaminhados ao governo federal com recomendações para alterar a modelagem da concessão elaborada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Entre as principais críticas está a ausência de recursos específicos para a manutenção de viadutos e estruturas ferroviárias com mais de 40 anos de uso, além do prazo de até dez anos previsto para a substituição da rede aérea de alimentação elétrica, considerado excessivo pelos engenheiros diante das recorrentes falhas registradas pelo sistema.

Os engenheiros também defenderam investimentos em fontes renováveis de energia para reduzir os custos operacionais, citando como exemplo a concessão do Metrô de Belo Horizonte, onde foram instalados painéis solares para abastecer parte das estações.