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"Bandido" e "Fernandinho Beira-Mar da política": aliados de Lula em PE reagem à saída de Flávio do país

Carlos Veras afirma que senador não tem "moral" para liderar oposição, enquanto Jones Manoel aponta que vai buscar articulação com parlamentares dos EUA visando extradição

Por Amauri Lins

Senador Flávio Bolsonaro (PL)

A postura do senador Flávio Bolsonaro (PL) vem sendo alvo de críticas duras de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), desde que o parlamentar deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, na última terça-feira (27), dias após a derrota na disputa pela Presidência da República. Enquanto aliados de Flávio apontam para uma suposta perseguição política e classificam o episódio como um exílio forçado, apoiadores do líder petista afirmam que a busca por refúgio teria se dado por causa do histórico de pendências com a Justiça brasileira.

Para o deputado federal reeleito Carlos Veras (PT), que coordenou a campanha eleitoral de Lula em Pernambuco, a narrativa de exílio político não se sustenta, uma vez que o Partido Liberal, ao qual o senador é filiado, conquistou os maiores números da Câmara e do Senado, chegando a 121 deputados federais e 29 senadores, além de eleger seis governadores, maior quantia entre todas as siglas.

“Ele está fugindo porque sabe que está devendo, e muito, à Justiça Brasileira. Porque é um ladrão de quinta categoria e um enganador da esperança de algumas pessoas que dedicaram a esperança de tê-lo como um político que pudesse fazer alguma coisa pelo seu país. Ele é fugitivo, fugiu do país sem nenhuma consideração com quem votou com ele”, afirmou em entrevista ao Diario de Pernambuco.

Já o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL), segundo mais votado por Pernambuco no pleito deste ano, listou as investigações em curso que teriam motivado o senador a deixar o país. “É importante negritar que o Flávio Bolsonaro tem várias denúncias, tanto em processos que estão correndo como em processos que já foram arquivados, sobre rachadinha, que é o crime de peculato, compra de imóveis com dinheiro vivo, enriquecimento suspeito e envolvimento com milicianos, com grupos de extermínio, crime organizado”, disse ao Diario.

Jones ainda classificou o parlamentar liberal como “Fernandinho Beira-Mar da política”, em referência ao episódio em que o traficante brasileiro fugiu para a Colômbia para escapar da Justiça. “Pela primeira vez em 24 anos, ele não terá mandato e, consequentemente, não terá imunidade parlamentar, então vai ser investigado e responder à justiça como um cidadão comum”, afirmou.

Impacto na política brasileira

Em carta divulgada após a saída do país, Flávio Bolsonaro reivindicou o posto de liderança brasileira da oposição ao governo de Lula ao longo do quarto mandato. Para Veras, o parlamentar já não ocupava o posto de liderança ao longo do seu mandato, portanto, não assumirá o papel estando fora do país.

“Ele aqui não conseguiu liderar a oposição, não teve o apoio de nenhum outro partido no primeiro turno, imagina de fora, como foragido, como covarde. É isso que ele é: um bandido covarde. Como é que ele vai liderar de lá? Ele não tem nenhuma moral para liderar nada”, disse.

Jones afirmou que a carta assinada por Flávio seria um “documento delirante” e apelidou o senador de “Napoleão de hospício”, em referência à primeira versão do material em que o ex-candidato se proclamava como presidente eleito do Brasil. O deputado apontou ainda que a tendência é o senador perder espaço na disputa pela liderança da direita para figuras próximas como a madrasta e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“[Flávio] foi desmoralizado enquanto liderança política, não controla mais o seu partido. Porque, vale lembrar, enquanto Flávio Bolsonaro tava fugindo, estava Valdemar Costa Neto, que é o presidente do PL, e a Michele Bolsonaro posando para foto, felizes debatendo o futuro do PL. Tarcísio de Freitas já lançou a candidatura dele a presidente de 2030”, apontou.

Relação com os EUA

A possibilidade de Flávio Bolsonaro interferir concretamente na relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos é tida como reduzida pelos aliados de Lula. Carlos Veras ressaltou a habilidade de negociação do chefe do Executivo brasileiro, que conseguiu minimizar as taxações impostas por Donald Trump, sob incentivo do ex-deputado federal e irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro.

“O presidente Lula tem uma capacidade de negociação muito grande, é respeitado no mundo inteiro. Não é um fascistinha ladrão, fugitivo da polícia, como o Flávio Bolsonaro, que vai fazer com que o Brasil não consiga construir relações comerciais com os outros países e continuar fazendo com que a gente continue exportando e vendendo bastante, tanto internamente quanto para fora do país”, disse.

Jones Manoel afirma que uma das principais ações ao assumir o mandato de deputado federal, em fevereiro de 2027, será a articulação com parlamentares dos Estados Unidos para buscar a extradição do senador.

“A gente vai buscar essa articulação e fazer uma campanha de pressão para devolver o nosso criminoso comum, Flávio Bolsonaro, para a justiça brasileira. Para que ele possa responder com o devido processo legal, com todas as garantias do Estado de Direito, pelos crimes que cometeu e ficar preso no Brasil, de preferência na Papuda”, declarou.