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Imprensa internacional repercute fim da escala 6x1

Jornais e agências de notícias destacaram "vitória política" de Lula e a adesão de Flávio Bolsonaro e aliados, antes opositores

Por Estadão Conteúdo

"Congresso brasileiro aprova semana de trabalho reduzida" foi a manchete do Le Monde

A imprensa internacional repercutiu a aprovação pelo Senado, na noite de quarta-feira (14), da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada máxima de trabalho semanal de 44 para 40 horas.

O britânico The Guardian classificou a aprovação como uma "vitória" para o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Brasil reduz jornada de trabalho para 40 horas semanais em vitória para Lula antes do segundo turno", afirmou o jornal.

O veículo também abordou a mudança de posição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). "Bolsonaro, por outro lado, passou meses se opondo à mudança, mas mudou de posição na terça-feira, dizendo que 'a maioria dos trabalhadores brasileiros' a apoiava", disse.

"No Brasil, o Parlamento aprova a redução da jornada de trabalho prometida por Lula", afirmou o francês Le Monde, em reportagem com informações da Agence France-Presse (AFP).

O espanhol El País também classificou a aprovação como "uma vitória política para Lula". "Dezenas de milhões de trabalhadores no Brasil ganham um segundo dia de folga, uma vitória política para Lula", disse o jornal.

"Senado do Brasil aprova redução da jornada de trabalho em vitória para Lula", afirmou a agência de notícias Reuters, que também destacou o apoio de Flávio à medida: "A popular reforma trabalhista recebeu o apoio de parlamentares de todo o espectro político brasileiro nas duas votações exigidas, inclusive do senador de direita Flávio Bolsonaro, adversário de Lula no segundo turno, que antes se opunha à medida."

A alemã Deutsche Welle também abordou o tema, com informações da Associated Press (AP) e da Reuters: "Brasil reduzirá jornada de trabalho em vitória para Lula antes do segundo turno."

A Associated Press, por sua vez, classificou a aprovação como uma "grande vitória para Lula". "Senado do Brasil aprova redução da jornada de trabalho em grande vitória para Lula antes do segundo turno", afirmou a agência.

Entenda a PEC do fim da 6x1

A PEC já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados em maio e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em setembro. Na quarta-feira, ela foi aprovada pelo plenário do Senado em dois turnos, com 75 votos favoráveis e um contrário em ambos.

O único senador a votar contra a PEC foi Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

A PEC prevê dois dias de descanso remunerado para cada cinco dias de trabalho, em substituição à escala 6x1, na qual o funcionário trabalha por seis dias e tem direito a um dia de folga. Um dos dias de descanso deverá ser, preferencialmente, o domingo.

Diferentemente dos projetos de lei comuns, as PECs não estão sujeitas à sanção ou ao veto presidencial. O texto será promulgado pelas Mesas Diretoras das duas Casas do Congresso Nacional. A data da promulgação ainda não foi confirmada oficialmente.

A PEC prevê que as empresas têm 60 dias após a promulgação para reduzir a jornada máxima de trabalho semanal de 44 para 42 horas com a garantia de dois dias de descanso remunerado por semana. Um ano após o início dessa primeira etapa, o limite será reduzido para 40 horas semanais.