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Base lulista em PE critica neutralidade de Raquel e cita riscos com Flávio Bolsonaro

Carlos Veras, Humberto Costa e Ivan Moraes apontaram que governadora teria ciência dos avanços conquistados com Lula, apesar de não se manifestar

Por Amauri Lins

Carlos Veras, deputado federal e presidente estadual do PT-PE

A posição de neutralidade adotada pela governadora Raquel Lyra (PSD) em relação à disputa presidencial voltou a ser criticada por integrantes da campanha presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Pernambuco. Reunidos em uma plenária de mobilização, nesta sexta-feira (9), no bairro de Santo Amaro, região central do Recife, aliados do líder petista compararam as parcerias atuais entre o estado e a gestão federal com o cenário de um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL).

Para o deputado federal reeleito Carlos Veras (PT), que coordena a campanha de Lula em Pernambuco desde o primeiro turno, obras importantes para a região seriam impactadas diretamente no caso do presidenciável liberal assumir o poder.

“É um direito dela, mas eu tenho certeza que ela sabe e tem consciência de que, com Flávio Bolsonaro, a BR-232 não termina a sua duplicação até a Serra Talhada, como nós queremos. O Arco Metropolitano não sai. As barragens que tem ainda para fazer, a quantidade de estradas que precisamos duplicar, moradias populares. A quantidade de recursos que ela recebe através do governo do presidente Lula, ela não receberá de outro governo”, afirma.

O senador reeleito Humberto Costa (PT) também argumentou que as parcerias entre estado e União deveriam ser suficientes para que Raquel anunciasse, de forma natural, o apoio a Lula no segundo turno.

“Não só porque ele [Lula] fez muitos investimentos em Pernambuco, isso pesou para a própria popularidade dela. Também é fato que, se por acaso Flávio Bolsonaro vencesse a eleição, as primeiras coisas que ele cortaria seriam as obras do PAC e as ações que estão mudando a realidade de Pernambuco nesse momento. Até por interesse da defesa do nosso estado, ela deveria estar com Lula”, disse.

Para Ivan Moraes (PSOL), que foi derrotado na disputa pelo Governo de Pernambuco e se somou à campanha estadual de Lula no segundo turno, ainda há expectativa em torno de uma mudança de posicionamento.

“Acho que a governadora ainda está devendo para o povo pernambucano. Não existe neutralidade numa campanha importante como essa. Ela sabe, mais do que ninguém, a diferença de governar com Lula presidente e com Bolsonaro presidente. Tenho certeza, pelo menos esperança, de que ao longo do tempo ela vai chegar junto e vai dizer junto com a gente que no segundo turno tem que ser Lula”, afirmou.

Um dia após a confirmação da renovação do mandato à frente do Executivo estadual, Raquel Lyra reforçou a posição de neutralidade adotada desde o início da campanha eleitoral, apesar de agradecer de forma recorrente às parcerias desenvolvidas com Lula. A governadora afirmou que foi procurada por representantes de ambas as campanhas, mas optou por manter o seu foco em Pernambuco.