Raquel pede desculpas após repercussão de vídeo em que sugere laqueadura sem consentimento
Gravação de 2025 foi revelada neste domingo (20) pelo Metrópoles; governadora classificou declaração como "equivocada"
A governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) pediu desculpas, neste domingo (20), após o Metrópoles revelar um vídeo em que ela sugere que uma mulher seja submetida a uma laqueadura sem saber. A gravação é de maio de 2025, durante uma agenda no Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns, no Agreste, mas veio a público neste fim de semana.
“Essa fala minha em nada traduz o respeito que eu tenho às mulheres. Por isso, eu peço desculpas, foi uma fala equivocada, eu não tenho compromisso com o erro”, afirmou Raquel em vídeo publicado após a repercussão da reportagem.
A gravação foi revelada pela coluna da jornalista Andreza Matais. No registro, uma mulher que aparenta ser funcionária da unidade de saúde relata à governadora o caso de uma gestante que já teria sete filhos. A paciente mencionada na conversa não aparece nas imagens.
Ao ouvir o relato, Raquel afirma: “Aí, a gente tem que fazer laqueadura, visse? Aí, a gente bota na fila da laqueadura”. Na sequência, após uma resposta da interlocutora que não é possível compreender na gravação, a governadora acrescenta: “Mas faz sem ela saber”.
Não há, nas imagens ou nas informações divulgadas até o momento, indicação de que a mulher mencionada tenha sido submetida a uma laqueadura ou a qualquer outro procedimento sem o seu consentimento.
Raquel reconhece erro e pede desculpas
Na manifestação publicada nas redes sociais após a divulgação da reportagem, Raquel reconheceu a autoria da fala e afirmou que a declaração não corresponde à sua posição sobre os direitos das mulheres.
“Gente, está circulando na internet um vídeo antigo meu falando sobre laqueadura na cidade de Garanhuns. Como mãe e como mulher, eu sei o desafio que é decidir sobre planejamento familiar. Essa fala minha em nada traduz o respeito que eu tenho às mulheres”, disse.
Em seguida, fez o pedido de desculpas. “Foi uma fala equivocada, eu não tenho compromisso com o erro”, afirmou.
Raquel também defendeu sua atuação à frente do poder público na área. “O que eu tenho trabalhado sempre, como prefeita, como governadora, é que toda mulher tenha direito à informação e a planejamento familiar através da rede pública de saúde.”
A candidata relacionou ainda a repercussão do episódio ao contexto da disputa eleitoral. Sem mencionar adversários, afirmou que a divulgação seria “mais uma tentativa de desviar o verdadeiro foco do debate”.
“Não é sobre ataques, deve ser sobre propostas”, declarou. Na sequência, pediu novamente a confiança do eleitorado para permanecer no Governo de Pernambuco e citou investimentos em saúde, educação e oportunidades de trabalho.
Antes da manifestação em vídeo, a campanha de Raquel já havia respondido ao Metrópoles. Em nota enviada à coluna, reconheceu que a declaração feita pela governadora havia sido “infeliz” e afirmou que ela reafirmava seu respeito às mulheres e ao direito ao planejamento familiar.
Laqueadura exige manifestação de vontade
A esterilização cirúrgica é regulamentada no Brasil pela Lei nº 9.263/1996, a Lei do Planejamento Familiar. A legislação determina que a esterilização voluntária depende da manifestação expressa da vontade da pessoa que será submetida ao procedimento.
A lei prevê ainda que essa manifestação seja registrada por escrito e ocorra depois que a pessoa tenha acesso a informações sobre os riscos da cirurgia, possíveis efeitos colaterais, dificuldades de reversão e alternativas de contracepção disponíveis.
A realização de esterilização cirúrgica em desacordo com os requisitos previstos na legislação é tipificada como crime.