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"Perfeita harmonia", diz João Campos sobre aliança entre PT e PSB

Presidente nacional do PSB, João Campos firmou aliança com o PT e Lula nas eleições de 2026. No entanto, algumas figuras da esquerda têm apoiado a principal adversária dele na disputa pelo governo de Pernambuco, Raquel Lyra

Por Nicolle Gomes

João Campos afirmou que "posições divergentes" são naturais do processo democrático por várias questões

O candidato ao governo de Pernambuco João Campos (PSB) avalia que há uma “perfeita harmonia e alinhamento” entre o Partido Socialista Brasileiro (PSB), do qual é presidente nacional, e o Partido dos Trabalhadores (PT), aliados nas eleições de 2026. A declaração foi dada durante sabatina com a CNN Brasil, na tarde desta terça-feira (15).

Além de o PSB apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e compor esta chapa com o vice-presidente Geraldo Alckmin, mais de 13 palanques conjuntos foram estabelecidos em todo o Brasil para impulsionar a base governista.

Ao responder sobre apoio de figuras do PT à governadora Raquel Lyra (PSD), principal adversária de João na disputa pelo governo de Pernambuco – como o presidente do PT em Recife, Osmar Ricardo, que se licenciou para apoiar Lyra – o ex-prefeito do Recife destacou que a decisão de aliança entre os partidos foi “ampla” e ressaltou a proximidade política entre as partes.

“Por 86%, o PT decidiu no seu diretório apoiar a nossa candidatura. O processo de uma aliança aprovada pela amplíssima maioria a nível local, apoiado de forma pacífica e unânime nacionalmente pelas nossas alianças, nós temos o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Uma aliança que é para além de uma eleição, é de quem acredita que a política deve cuidar de quem mais precisa”, iniciou.

João Campos também afirmou que “posições divergentes” são naturais do processo democrático por várias questões, como motivações pessoais.

“Do ponto de vista político, há uma perfeita harmonia e alinhamento, não só aqui em Pernambuco, mas também a nível nacional. Como presidente nacional, a gente conduziu isso da melhor forma, por isso que estamos muito animados, fazendo a campanha do presidente, percorrendo os quatro cantos de Pernambuco, defendendo o nome dele em todos os locais e fazendo uma política que tem compromisso com o povo”, afirmou.

Filho do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, João também relembrou a relação entre a gestão do pai e o presidente Lula entre 2007 e 2010, reforçando uma das estratégias mais utilizadas pelo ex-prefeito para cativar o eleitor: prometer continuar o legado de Eduardo.

“Quando Lula governou o Brasil e teve um aliado governando Pernambuco, a exemplo de Eduardo Campos, foi o melhor tempo da história de Pernambuco, e quer poder reeditar essa parceria. Então, não é só disputar uma eleição junto, mas é governar junto para fazer para quem mais precisa, que é isso que nos une nesse momento”, expressou.

Campos listou ainda alguns projetos de governo que ele promete tirar do papel juntamente ao governo federal, como a Transnordestina em Pernambuco, construção de quatro hospitais e o maior hospital do Nordeste.

PT x PSB

Apesar de aliados nesta eleição, PT e PSB têm uma recente disputa em Pernambuco: em 2020, pela Prefeitura do Recife. Na ocasião, João Campos venceu a prima Marília Arraes no segundo turno, com 56,27% dos votos válidos.

Aquele período político foi marcado em Pernambuco por disputas jurídicas entre as partes para impedir ataques mútuos, como circulação de panfletos apócrifos e conteúdo ofensivo distribuído nas redes, além de uma briga judicial para barrar propagandas televisivas.

Na época, o resultado das eleições parecia marcar uma divisão definitiva no grupo Arraes-Campos do ex-governador Miguel Arraes, avô de Eduardo Campos e Marília Arraes e bisavô de João.

Hoje, seis anos depois, Marília Arraes é filiada ao PDT e candidata ao Senado pela chapa majoritária de João, e o PSB e PT são aliados.