"Tolerância zero": João Campos diz que Pernambuco não pode permitir facções na política
Declaração foi dada durante encontro na Associação dos Delegados de Polícia do Estado de Pernambuco
O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) defendeu, nesta segunda-feira (14), uma política de “tolerância zero” contra a presença de organizações criminosas no poder público. Durante encontro com delegados de Polícia Civil, o socialista afirmou que o Estado precisa impedir o avanço de facções sobre a política e combater agentes públicos que atuem de forma conivente com o crime organizado.
“Não podemos tolerar. Tolerância zero, porque política não é espaço para crime e a gente não pode ver organizações criminosas entrando na política e fazendo com que o nosso território seja espaço como a gente vê em outros estados do Brasil”, afirmou.
A declaração foi dada durante encontro na Associação dos Delegados de Polícia do Estado de Pernambuco (Adeppe). Diante da categoria, João defendeu que o próximo governo adote o que chamou de “selo de hostilidade ao crime organizado” e afirmou que o combate às facções deve alcançar eventuais relações com integrantes do poder público.
O candidato falou em “combater agentes públicos e políticos que utilizam do dever público para estar convivendo de forma conivente com facções criminosas”. “Nós não podemos tolerar isso no estado de Pernambuco”, acrescentou.
Novo modelo de segurança
Ao tratar da estrutura da segurança pública, João Campos citou a experiência iniciada em Pernambuco entre 2006 e 2007, período de implantação do Pacto pela Vida, e afirmou que o Estado precisa desenvolver uma nova estratégia diante das mudanças na atuação das organizações criminosas.
Segundo o socialista, esse modelo deve combinar presença policial nas ruas com maior capacidade tecnológica para enfrentar crimes praticados ou articulados no ambiente digital.
“A nossa tarefa é construir um novo modelo que dialogue com as novas formas de crime e que construa uma polícia com força digital e presença rápida, acessível, num ambiente onde o crime está mudando”, declarou.
João também voltou a destacar o enfrentamento às facções como um dos eixos da proposta. Para ele, Pernambuco precisa recuperar uma posição de protagonismo nacional na área de segurança pública e adaptar a atuação das forças policiais às novas dinâmicas do crime organizado.
Autonomia e valorização dos delegados
No encontro com a Adeppe, o candidato também direcionou parte do discurso às demandas da Polícia Civil. João defendeu o fortalecimento dos delegados, a manutenção de um canal permanente de diálogo com o governo e a discussão sobre remuneração da categoria.
“A gente vai precisar de delegados e delegadas empoderados, fortalecidos, com diálogo presente no governo, com espaços de discussão das pautas e a melhoria de salário permanentemente aberta”, afirmou.
O socialista ainda prometeu preservar a autonomia da atuação policial caso seja eleito governador. Segundo João, a relação do chefe do Executivo com as forças de segurança não deve envolver interferência no trabalho policial.
“Um ponto central é ter um governante que não queira interferir no trabalho da polícia. Só se for para ajudar e dar autonomia à polícia”, disse.