Grito dos Excluídos se torna vitrine para candidaturas de esquerda em ano eleitoral
Lideranças políticas do PT, como Teresa Leitão e Humberto, além dos candidatos ao Governo de Pernambuco Ivan Moraes (PSOL) e Camila Falcão (UP), marcaram presença ao evento
Em sua 32 edição, o Grito dos Excluídos, realizado nesta segunda-feira (7) na área central do Recife, virou vitrine para candidatos do campo progressista e de esquerda. Apesar da mobilização de bandeiras partidárias e materiais de campanha que marcaram a concentração no Parque 13 de Maio, a organização do ato buscou enfatizar a centralidade das pautas históricas dos movimentos sociais.
Em entrevista ao Diario de Pernambuco, Enildo Gouveia, um dos coordenadores do Grito, ponderou sobre a dualidade do contexto político e a importância da mobilização. Para ele, o peso da manifestação reside na autonomia temporal.
“O mais importante que a gente tem de dizer nesse 7 de setembro é que independente de ser um ano eleitoral, todos os anos o grito tá na rua, para que as pessoas não achem que é por causa de eleição, né? Não é por causa de eleição, a eleição é importante, a gente discute a eleição também, mas independente se é ano eleitoral, o Grito tá sempre na rua. Aqui em Recife são 32 anos que a gente sai.”
Neste ano, o Grito dos Excluídos ocupou a área central da capital pernambucana sob o lema defesa da soberania nacional, o combate à violência contra as mulheres, com forte denúncia aos feminicídios, e a luta pelo direito à moradia digna, alinhando-se também aos debates sobre o déficit habitacional e a Campanha da Fraternidade.
Presença política
Presente na manifestação, a senadora e líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT), buscou dissociar o caráter político do ato das disputas partidárias eleitorais, relembrando ao Diario sua trajetória de participação desde a primeira edição do manifesto no estado.
O senador e candidato à reeleição Humberto Costa também destacou a relevância da mobilização. “O Grito dos Excluídos é, sem dúvida, uma das mais importantes manifestações dos movimentos sociais, de todos aqueles que estão engajados na luta pela construção de uma sociedade mais justa e que anualmente dão a demonstração de que ainda há um longo caminho a ser percorrido pra que nós tenhamos uma sociedade inclusiva”, afirmou.
Outro postulante ao Senado, Paulo Rubem Santiago (Rede), ressaltou sua atuação para além da esfera político-partidária. “Antes de ser candidato, eu sou professor, trabalhador e servidor público. Fui presidente do meu sindicato, quando servidor público não tinha direito a sindicato. Então, eu venho todos os anos [ao Grito]. Este ano, claro, eu tenho mais um desafio que é colocar o meu nome como opção para o Senado, e é um prazer estar aqui.”
A mobilização também contou com as presenças de Ivan Moraes (PSOL) e Camila Falcão (UP), candidatos ao Palácio do Campo das Princesas. Ivan Moraes salientou a defesa da soberania, tema central do lema da manifestação deste ano.
“Em 2026, é imprescindível a presença de todo mundo no grito, porque a gente está diante de um momento eleitoral nacional muito importante, em que o Brasil está sofrendo, inclusive, uma opressão internacional, e precisa garantir sua soberania. Agora, eu como candidato, preciso estar aqui para dizer a todo mundo que aqui em Pernambuco, onde o extremismo de direita não se cria, a gente não tem nenhuma necessidade de trocar seis por meia dúzia.”
Outras candidatas também marcaram presença no ato, como as deputadas Dani Portela (PT), Rosa Amorim (PT) e Maria Arraes (PSB), e as vereadoras Liana Cirne (PT), Jô Cavalcanti (PSOL), Cida Pedrosa (PC do B) e Kari Santos (PT).