Ministro do TCU apura relação de Flávio Bolsonaro e Vorcaro no caso Dark Horse
Suspeitam apontam para captação de pelo menos R$ 111 milhões de verbas públicas; Flávio Bolsonaro declarou que haveria "zero de dinheiro público"
O ministro Benjamin Zymler, do Tribunal de Contas da União (TCU) foi sorteado relator da representação apresentada pelo Ministério Público junto à Corte que pede a apuração de indícios de irregularidades envolvendo a captação de recursos para a produção do filme "Dark Horse", inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo o pedido, diálogos divulgados pela imprensa apontam que Flávio Bolsonaro teria solicitado recursos a Vorcaro para financiar a produção do filme. A representação menciona um acordo que previa repasses de R$ 124 milhões para o projeto, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente transferidos por meio da Entre Investimentos, empresa que, segundo o documento, seria ligada ao ex-controlador do Banco Master.
Além do volume que teria vindo diretamente de Vorcaro, o pedido também cita R$ 111 milhões captados por estruturas ligadas à produção por meio de recursos que tangenciam o orçamento público incluindo emendas parlamentares e contratos administrativos.
"Há suspeitas contundentes de que estruturas associadas à produção do filme tenham captado no mínimo R$ 111 milhões em verbas que tangenciam o Orçamento Público, incluindo emendas parlamentares federais e contratos administrativos, somados a repasses da ordem de R$ 61 milhões provenientes do Banco Master" afirma Furtado na representação.
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O subprocurador afirma ainda que o volume mobilizado assume proporções "colossais e incompatíveis" com a normalidade do setor, evidenciando uma vultosa disparidade em relação aos R$ 11 milhões inicialmente declarados pela produtora responsável.
"A divergência e a magnitude desses valores não apenas robustecem os indícios de ocultação de patrimônio, mas também evidenciam o trânsito massivo de verbas carimbadas do erário federal e municipal circulando pelas mesmas estruturas organizacionais associadas ao projeto, demandando o rastreamento integral por esta Corte para identificar o real destino dessa massiva quantia de recursos", acrescenta.
Segundo a representação, os valores contrastariam com declarações de Flávio Bolsonaro de que haveria "zero de dinheiro público" na produção cinematográfica.