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Após atritos com Flávio, Michelle Bolsonaro elogia política implementada pelo Governo Lula

Educação bilíngue de surdos passa a atender comunidade em modalidade que amplia Educação Especial

Por Guto Moraes

Michelle Bolsonaro faz o sinal de 'Eu amo você' em Libras

Após o desentendimento com o enteado, senador federal e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), Michelle Bolsonaro teceu elogios à Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, lançada pelo Ministério da Educação nesta sexta-feira (3).

“É um sonho realizado”, comemorou a esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, em sua rede social. A política pública, implementada pelo Governo Lula, busca assegurar a oferta qualificada, o acesso, a permanência e o bom desempenho escolar de estudantes surdos.

“Parabenizo a nossa amada comunidade surda pelo lançamento da Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos!”, escreveu a ex-primeira-dama, ao celebrar a criação da modalidade bilíngue para surdos, que amplia a implementação da chamada Educação Especial.

A ex-presidente do PL Mulher destacou o público-alvo da educação bilíngue implementada pelo Governo Lula: “estudantes surdos, surdocegos, pessoas com deficiência auditiva sinalizantes, surdos com altas habilidades ou superdotação e surdos com outras deficiências associadas”.

Educação bilíngue

Nesta modalidade da educação inclusiva, os conteúdos escolares (matemática, ciências, história, geografia etc.) são transmitidos inicialmente em Libras. Só depois os estudantes surdos são ensinados sobre a modalidade escrita do português, a partir de metodologias específicas.

A estratégia amplia o escopo educacional. Antes, a rede de ensino assegurava a acessibilidade comunicacional restrita à presença do intérprete em uma sala comum. Aqui, todo o ambiente escolar faz uso do idioma, assegurando professores bilíngues, materiais adaptados e convivência entre pares surdos.

Bandeira pessoal

A relação de Michelle Bolsonaro com a comunidade surda ganhou evidência nacional após a quebra de protocolo na posse de Jair Bolsonaro à Presidência da República, em 1º de janeiro de 2019. Na ocasião, a então primeira-dama fez um breve discurso em Libras, de pouco mais de 3 minutos.

Michelle prometeu atuar em prol das pessoas com deficiência (PCDs). “Vocês serão valorizados e terão os direitos respeitados”, garantiu na ocasião. Apesar do ato simbólico, durante seu governo, Bolsonaro vetou o PL 1.361/2015, que garantia reserva de vagas em concursos para pessoas com surdez unilateral total.

Nesse período, críticos — incluindo o Partido dos Trabalhadores — afirmaram que o governo teria tentado extinguir o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), órgão de controle social e formulação de políticas para PCDs. O órgão foi mantido, mas relatos apontaram seu enfraquecimento.

Crise no clã Bolsonaro

O posicionamento de Michelle vem na sequência dos desentendimentos na cúpula da família Bolsonaro, que começaram a escalar no dia 24 de junho, quando Michelle disse, em vídeos publicados nas redes sociais, ter se sentido “apunhalada” e “humilhada” por Flávio Bolsonaro. Segundo ela, o pré-candidato à Presidência a “desrespeitou e maltratou ao telefone”.

No vídeo, Michelle Bolsonaro relatou o diálogo com Flávio após criticar publicamente as negociações do PL no Ceará. Segundo a ex-primeira-dama, o enteado disse que “seria melhor ela ficar fora das decisões do partido” e que “ela havia chegado ontem e não entendia de política”.

Horas depois, o senador publicou um texto em que afirmou que ambos têm o mesmo objetivo político, mas divergências de estratégia. “Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas”, declarou, ao afirmar ter respeito e reconhecimento pelo trabalho da ex-primeira-dama à frente do PL Mulher.