"Tentativa de voltar ao passado", afirma Raquel Lyra sobre projeto político de João Campos
Em entrevista à Veja, governadora adota cautela sobre pesquisas eleitorais, critica gestões passadas do PSB e afirmou que "ninguém é dono do povo"
A governadora e pré-candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), afirmou que “ninguém é dono do povo”, em entrevista à revista Veja, publicada nesta sexta-feira (12). Ao responder sobre uma possível mudança ideológica no Nordeste, a gestora declarou que o cenário na região vai além de partidos e que nenhuma população pertence a um grupo político.
"A questão é menos sobre partidos e mais sobre pessoas, como elas podem se unir para superar desafios que estão postos e fazer o estado crescer, o país crescer. Pernambuco não tem dono. O Nordeste não tem, nenhuma população tem”, garantiu Raquel.
Ao falar sobre o desempenho nas pesquisas locais e a virada sobre o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), na última pesquisa Datafolha, a governadora adotou cautela, mas atribuiu os resultados positivos às ações de sua gestão.
“Pegamos um estado quebrado, sem dinheiro, que investia pouco. Arrumamos a casa. Destravamos obras paralisadas há doze, catorze anos. [O resultado] demonstra que nós estamos no caminho certo”, justificou a gestora, apontando ainda a melhora no ambiente de negócios e a atração de investimentos.
De acordo com ela, Pernambuco está “no melhor momento da segurança desde 2004”, com redução de 40% nos crimes contra o patrimônio nos cinco primeiros meses deste ano e o “maior investimento da história, R$ 2,3 bilhões”.
“Pegamos o mesmo efetivo das polícias que havia em 2013. Não se faz segurança pública empurrando viatura sem combustível, com arma velha, dividindo colete à prova de bala, com fungos nas costas”, afirmou. A gestora pontuou também que o governo tem investido na construção de vagas em presídios.
Questionada sobre as diferenças entre ela e João, apontado pela Veja como um “um dos políticos mais promissores para o futuro da esquerda”, Raquel associou o adversário a “uma tentativa de voltar ao passado” e criticou gestões anteriores do PSB em Pernambuco.
“Quando cheguei, tinha muita coisa que tinha sido prometida, colocado propaganda na TV, mas o dinheiro não existia. Destravamos muitas obras”, afirmou. “É preciso se importar com a população, não como um número de likes, mas com a história dela, em como você pode ajudá-la”.
Dois palanques
No início da semana, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), falou que a estratégia eleitoral do presidente Lula (PT), em Pernambuco, seria um palanque duplo com Raquel e João. No mesmo dia, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, declarou que o presidente terá palanque único, que seria com João.
“Acho que é um momento de menos sectarização e mais construção de pontes. O PT tem toda a autonomia para discutir os rumos após as convenções. E a gente vai continuar no trabalho, porque restabelecemos a confiança do governo federal em Pernambuco”, declarou.
Em sua avaliação, a gestão anterior brigou com três presidentes da República, de campos ideológicos diferentes (Dilma, Temer e Bolsonaro). “O resultado foi Pernambuco ficar sem investimento. Somos um estado pobre, é preciso um governo que dialogue. Fizemos isso desde o primeiro momento, e Lula abriu as portas do governo para colocar Pernambuco de volta no mapa dos investimentos nacionais”.
Ao analisar a relação com o Palácio do Planalto, Raquel declarou que a abertura de portas resultou em um trabalho de qualidade para o povo. “Isso tem acontecido porque tenho tido a solidariedade do presidente Lula e de parte do PT”, frisou.
PL e PSD
Questionada se acenará para Flávio Bolsonaro (PL), caso não tenha apoio de Lula, a gestora respondeu que tem uma aliança em favor de Pernambuco. “Tenho apoios do PSOL ao PL de pessoas que compreendem que não se trata de partido, mas de um projeto de transformação que está dando certo. Não é sobre a próxima eleição”, disse ela. “Sobre eleição, vamos nos posicionar no momento correto”.
Em relação a Ronaldo Caiado, pré-candidato à presidência, a governadora afirmou respeitar a trajetória do ex-governador de Goiás e colega partidário.
“O PSD tem legitimidade para apresentar candidato, somos o maior partido do Brasil em prefeituras. Mas, quando me filiei, após dois anos de conversas com Kassab, sempre ficou muito clara a liberdade que eu teria para conduzir o partido em Pernambuco. Guardo isso para me posicionar sobre esse tema nos próximos tempos. Não haverá surpresas”, declarou.