Eduardo da Fonte diz que Raquel não deve "fechar as portas" nem a Lula nem a Flávio Bolsonaro
Deputado afirma que governadora Raquel Lyra não deve "fechar portas" para nenhum presidenciável e destaca relação com o Governo Federal
por Adelmo Lucena, Alexandre Cunha, Felipe Resk e Roberto Gazzi
Em meio às articulações para as eleições de 2026, o pré-candidato ao Senado Eduardo da Fonte (PP) afirmou, nesta segunda-feira (18), em entrevista exclusiva ao Diario de Pernambuco, que a governadora Raquel Lyra (PSD) deve manter diálogo aberto com todos os campos políticos e preservar a “sintonia” com o Governo Federal, independentemente de quem esteja ocupando o cargo de presidente da República.
Ao comentar a disputa interna por espaço na chapa governista, o parlamentar reconheceu que a base de Raquel reúne diversos nomes competitivos para o Senado, entre eles Miguel Coelho e Túlio Gadêlha, e defendeu que a escolha passe pela representatividade política, capacidade de entrega e força eleitoral. Na entrevista, ele também disse que a Federação União Progressista deve permanecer neutra na corrida presidencial, sem fechar portas para pré-candidatos como Flávio Bolsonaro (PL).
Como está a construção política da sua pré-candidatura ao Senado dentro da base da governadora Raquel Lyra?
Esse momento do calendário eleitoral gera uma ansiedade muito grande em todos que fazem parte dele. Isso gera uma ansiedade muito grande e é natural que haja conversas e discussões internas para que aconteça o afunilamento. Foi isso que aconteceu. O entendimento é de que estaremos com a governadora Raquel Lyra, mas vamos precisar debater também quem serão os outros membros que farão parte da chapa majoritária. Nós temos quadros importantes na nossa federação.
Hoje, a Federação União Progressista é a maior federação do Brasil e, consequentemente, a maior de Pernambuco, não só pelo tamanho partidário, mas também pela representatividade no nosso estado. Tivemos nossa pré-candidatura ao Senado oficializada no mesmo dia em que fomos declarar apoio à governadora. Vamos agora entrar nesse processo de construção para que possamos oficializar nossa candidatura ao Senado em agosto, buscando uma construção coletiva, ouvindo os membros do partido e o conjunto político que compõe o palanque da governadora, para que possamos ter uma eleição vitoriosa no dia 4 de outubro, que é a outra data fundamental.
A base governista reúne diversos nomes de peso na disputa pelo Senado. Quais critérios devem pesar na definição da chapa majoritária?
É um problema muito bom. Ruim seria se não houvesse ninguém postulando esses cargos. Então, isso faz parte do processo político. Agora, entra a habilidade que cada um tem, o que cada um representa dentro do conjunto político, a história de cada um e aquilo que cada um já entregou ao estado de Pernambuco. Isso é importante para que seja feita a escolha de uma chapa competitiva, com representatividade, tranquilidade e força política para ganhar a eleição no próximo dia 4 de outubro. Isso é muito importante.
Como o senhor avalia a relação institucional entre a governadora Raquel Lyra e o Governo Federal em um cenário de polarização política nacional?
Raquel Lyra tem demonstrado uma parceria muito positiva com o Governo Federal. Isso é importante para que a gente traga avanços e investimentos para o estado de Pernambuco. Independentemente de quem esteja na Presidência da República, o importante é que o Governo Federal funcione em sintonia com o Governo Estadual, e isso ela está conseguindo muito bem. Nós temos que governar para o estado de Pernambuco. Quem escolhe o presidente da República é o povo brasileiro, em todas as regiões do país. Pernambuco não aguenta mais ver governador brigando com presidente da República, situações que acompanhamos recentemente. Nós temos que trabalhar por Pernambuco. Não temos que trabalhar para um presidente da República.
Qual deve ser a postura da Federação União Progressista diante da disputa presidencial e da aproximação de Raquel Lyra com diferentes campos políticos, incluindo Flávio Bolsonaro?
Veja, o que a gente defende é que a federação fique neutra, sem optar por nenhum candidato à Presidência da República. Isso é importante para dar tranquilidade a todos os integrantes da federação. Hoje, somos a federação com maior representatividade no Congresso Nacional. Então, é importante que haja essa neutralidade e que cada estado tome o posicionamento que considerar mais adequado. Ela não pode fechar as portas para nenhum dos pré-candidatos à Presidência, porque quem vai escolher o próximo presidente da República é o povo brasileiro. Nós não temos o direito de prejudicar os projetos do estado de Pernambuco porque gostamos ou deixamos de gostar do presidente.
As pesquisas mais recentes apontam oscilações nos índices de intenção de voto para o ex-prefeito João Campos. Como o senhor interpreta esse cenário?
Isso mostra justamente o ajuste do trabalho, das entregas que Raquel Lyra está fazendo e das coisas que estão acontecendo no governo dela. Tivemos a oportunidade de ver, na última semana, mais 2.200 homens e mulheres nas ruas, por meio da Polícia Militar, além de uma sensação maior de segurança, com os índices de violência diminuindo no nosso estado. Também na saúde pública, a revitalização do Hospital da Restauração é um desejo de todos os pernambucanos. E a gente ainda vê a reforma demorando um pouco, mas ela está acontecendo. Quando ela assumiu o governo, Pernambuco tinha a segunda pior malha viária do Brasil, perdendo apenas para o Amapá, se não me engano. Hoje, a gente tem visto essa evolução. Agora, não é simplesmente estalar os dedos para que as obras aconteçam. Existe uma estruturação, um planejamento, e ela tem melhorado porque a população tem percebido essas transformações no dia a dia.
Na sua avaliação, quais ações ou áreas são as principais vitrines da gestão Raquel Lyra?
A segurança pública tem avançado, tem melhorado. Isso a gente tem visto nas ruas. O impacto dos “Laranjinhas” é uma marca do governo dela. Raquel Lyra tem nos Laranjinhas uma marca importante da gestão dela para a segurança pública do estado de Pernambuco, assim como os avanços nas estradas. Ela conseguiu dar início a uma das obras mais esperadas da última década, que foi o Arco Metropolitano. Ela conseguiu tirar o projeto do papel, licitar, e a obra está sendo realizada. E isso será um ganho para os próximos anos.
Quais investimentos na Saúde o senhor considera mais estratégicos para Pernambuco?
Nós temos trabalhado bastante junto também com o deputado Lula da Fonte (PP) para trazer recursos para os hospitais 100% SUS no estado de Pernambuco. Conquistas importantes, como o Hospital do Câncer de Pernambuco, aqui do Recife, que recebeu um acelerador linear de última geração, igual ao que tem no melhor hospital particular de São Paulo. Tem outro chegando agora também para o nosso Hospital do Câncer, como também um tomógrafo, que deve estar chegando entre junho e julho, porque o do Hospital do Câncer que está funcionando tem quebrado bastante. Estamos falando de um valor total de investimentos na saúde que já ultrapassa os R$ 700 milhões ao longo dos mandatos que temos, tanto para custear a saúde dos municípios como para trazer equipamentos para os hospitais 100% SUS.