Israel detém suspeitos de atacar fotojornalista norte-americana e diplomatas europeus
As autoridades policiais não identificaram publicamente os detidos, informando apenas que foram encaminhados para interrogatório e posteriormente responderão a julgamento
A polícia israelense anunciou a detenção de dez suspeitos no decorrer das investigações sobre incidentes violentos praticados por colonos extremistas, que aconteceram durante o fim de semana na Cisjordânia ocupada. As autoridades policiais não identificaram publicamente os detidos, informando apenas que foram encaminhados para interrogatório e posteriormente responderão a julgamento.
A polícia comunicou que a operação da última madrugada, denominada "Folha de Oliveira", foi realizada em vários pontos nos arredores de Ramallah, no centro da Cisjordânia, com o apoio da Polícia de Fronteiras, do Exército e da unidade aérea.
“Durante a operação, foram apreendidos veículos e objetos que, supostamente, vinculam os suspeitos aos atos investigados. Desde os incidentes, temos trabalhado na coleta de provas, vestígios e depoimentos que permitam levar os envolvidos à Justiça”, disse Moshe Pinchi, comandante da polícia israelense na Cisjordânia.
Violência de extremistas
Entre os atos de violência extrema, registraram-se o espancamento da fotojornalista norte-americana Heidi Levine, do jornal Washington Post, e o ataque a uma comitiva de diplomatas estrangeiros em episódios distintos. Na sexta-feira, colonos israelenses mascarados foram filmados agredindo Levine enquanto ela cobria a colheita de azeitonas por agricultores palestinos.
No sábado, representantes diplomáticos da França, Bélgica e Polônia, além do prefeito francês Bernard Baudoux (da cidade de Aulnoye-Aymeries), de 78 anos, foram atacados por colonos na localidade de Taybeh. Um veículo do Consulado da Bélgica teve uma das janelas destruída.
O grupo acompanhava líderes locais em visita a uma região de maioria cristã quando colonos mascarados invadiram o local para tentar impedir o trabalho dos agricultores.“Fui derrubado, espancado e atacado com barras de ferro. Eles chegaram completamente descontrolados", relatou Baudoux.
A União Europeia condenou veementemente a agressão e exigiu a responsabilização plena dos culpados. O ministro das Relações Exteriores da Bélgica, Maxime Prévot, declarou que a impunidade dos colonos violentos precisa acabar. Já o chanceler francês, Jean-Noël Barrot, cobrou que o governo israelense contivesse a violência criminosa.
"As autoridades israelenses devem prender os responsáveis por esses atos repugnantes e levá-los à Justiça. Devem deter com urgência essa violência e garantir a segurança da população civil, como exige o direito internacional", afirmou Barrot.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pediu que Israel tome medidas contra a escalada de violência.
O embaixador norte-americano Mike Huckabee defendeu que os agressores da jornalista fossem presos e processados. O chanceler de Israel, Gideon Saar, condenou os atos e os atribuiu a arruaceiros israelenses, embora tenha criticado os consulados europeus por não terem coordenado a visita com o Exército. Por sua vez, o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu acusou os críticos de moverem uma campanha de "difamação" contra o país.
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Escalada da violência na Cisjordânia
A Cisjordânia enfrenta forte alta na violência desde o início do conflito na Faixa de Gaza, em 2023, marcando episódios recorrentes de ataques promovidos por colonos.
Segundo os relatórios mais recentes das Nações Unidas, somente neste ano 90 palestinos foram mortos — entre os quais 19 crianças — em ataques e incursões militares israelenses, enquanto cerca de 2.100 pessoas ficaram feridas ou foram agredidas na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.
Dados monitorados pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) indicam que o total de palestinos mortos diretamente por colonos superou o acumulado dos anos anteriores.