Mais de 100 mortos em ataques com drones no Sudão
Administração paralela do país acusa o Exército do país de realizar o bombardeio
Uma série de ataques com drones contra a capital sudanesa, Cartum, controlada pelo Exército, e duas regiões do oeste do país sob controle paramilitar deixou mais de 100 mortos desde domingo (18), segundo moradores, profissionais de saúde e fontes das Forças de Apoio Rápido (FAR).
O ataque mais mortal ocorreu na tarde de domingo (18), perto de um mercado em Al Dibab, no estado de Cordofão do Oeste, controlado pelas FAR, que enfrentam o Exército sudanês desde abril de 2023.
Moradores e fontes médicas afirmaram que um drone atingiu um ponto de transporte onde pessoas aguardavam para voltar para casa após o dia de mercado, causando a morte de 80 pessoas.
Após a explosão do drone, havia "50 corpos que ajudei a enterrar, um deles era meu irmão", disse Ahmed Abakar Wadi à AFP, utilizando uma conexão de internet via satélite para contornar a interrupção das comunicações.
Outras 47 pessoas foram levadas ao hospital, onde 30 morreram em decorrência dos ferimentos, informou uma fonte médica à AFP. "O drone realizou um primeiro ataque e voltou dez minutos depois para atacar novamente", relatou Wadi.
A administração paralela criada pelas FAR, conhecida como Tasis, e o grupo sudanês Emergency Lawyers acusaram o Exército de realizar o bombardeio. As Forças Armadas não comentaram as acusações.
O ataque está entre os mais mortais registrados no Cordofão, região rica em petróleo que conecta o oeste e o leste do Sudão, onde o Exército e os paramilitares travam uma intensa disputa pelo controle do território.
Na madrugada desta segunda-feira (19), outro ataque com drones atingiu Nyala, capital de Darfur do Sul e reduto das FAR.
Fontes médicas e paramilitares informaram que 17 pessoas morreram, incluindo sete oficiais das FAR, e outras 23 ficaram feridas após um drone atingir o centro da cidade e destruir duas casas.
A violência também atingiu a capital. Um ataque com drone contra uma residência a leste do aeroporto de Cartum deixou quatro mortos, entre eles três crianças de dois a seis anos, segundo uma fonte médica.
Não há um balanço oficial de vítimas do conflito sudanês, mas organizações humanitárias estimam que a guerra tenha causado mais de 200 mil mortes e desencadeado o que as agências de ajuda consideram a maior crise de fome e deslocamento populacional do mundo.