Protestos na França deixam rastro de destruição e violência
As mobilizações acontecem impulsionadas pela convergência de uma crise de custo de vida. Pelo menos 2 mil pessoas foram detidas
A França enfrenta uma das suas ondas de protestos mais violentas dos últimos anos, impulsionada pela convergência de uma crise de custo de vida e mobilizações estudantis.
Entre 550 mil, segundo as autoridades francesas, e mais de 800 mil pessoas, de acordo com os organizadores, saíram às ruas numa marcha nacional em dezenas de cidades. O fim de semana no país vem sendo marcado por graves episódios de violência, incêndios e confrontos com a polícia.
Os protestos começaram inicialmente há cerca de um mês com um movimento de estudantes do ensino público, insatisfeitos com a falta de professores, precariedade das escolas e baixa qualidade das condições de ensino.
Mas, nas últimas semanas, a pauta das manifestações se expandiu significativamente ao se unir à insatisfação geral da população contra o alto custo de vida, a inflação e a escalada nos preços dos combustíveis, se transformando em um protesto massivo contra os cortes de gastos em serviços públicos e as desigualdades sociais.
Pelo menos uma pessoa morreu em Paris após sofrer uma parada cardíaca durante os atos. Além disso, mais de 500 policiais e bombeiros ficaram feridos em todo o território nacional. Em um dos incidentes graves, um jovem de 17 anos perdeu a mão devido à explosão de uma granada de controle de multidões.
Em sua última atualização, o ministro do Interior da França é Laurent Nuñez comunicou que as forças de segurança também já detiveram até o momento mais de duas mil pessoas no país, sendo 855 apenas na capital, Paris. Registaram-se atos de violência em Bordeaux, Paris, Marselha, Rennes, Toulouse, Angers entre outras.
“Cidades de norte a sul relatam saques e vandalismo. O edifício histórico e centenário da prefeitura de Limoges foi parcialmente destruído por um incêndio criminoso, e a residência oficial do representante do governo em Bordeaux foi totalmente saqueada. Câmaras municipais de Marselha e Lille também sofreram invasões temporárias”, informou o ministério.
O clima de tensão mexe diretamente com o cenário internacional e com a campanha para as eleições presidenciais francesas.
O presidente Emmanuel Macron condenou veementemente o que chamou de "semeadores do caos" e garantiu que os autores da destruição serão punidos. O Palácio do Eliseu anunciou que Macron irá realizar um pronuncimento oficial aos franceses em rede nacional de televisão a partir das 20h no horário local (15h no horário de Brasília).
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, também convocou uma célula de crise interministerial de emergência para lidar com o resultado da violência generalizada, instruindo procuradores a pedirem a prisão preventiva dos vândalos flagrados.
Enquanto isso, a oposição de extrema-esquerda — liderada por Jean-Luc Mélenchon — defende a legitimidade das marchas e culpa as táticas da liderança policial pela escalada na capital. Já a extrema-direita de Marine Le Pen acusa os discursos da esquerda de incitarem a desordem institucional.