Países da AIE estão dispostos a liberar mais reservas de petróleo
Na reunião realizada hoje, os governos membros da AIE apoiaram acelerar a liberação das reservas de petróleo que foram anunciadas em março
Segundo a Agência Internacional da Energia (AIE), os países membros da organização estão dispostos a liberar mais reservas estratégicas de petróleo, caso seja necessário.
Na reunião realizada hoje, os governos membros da AIE apoiaram acelerar a liberação das reservas de petróleo que foram anunciadas em março. “Será feita a sua conclusão o mais rapidamente possível”, diz a entidade.
Os países também apoiaram, na medida do possível, dar prioridade às reservas de diesel, devido à atual escassez no mercado, de acordo com a AIE. O G7 acordou recentemente também liberar 100 milhões de barris de petróleo e diesel de suas reservas estratégicas de emergência, coordenadas pela Agência Internacional de Energia, para conter a escassez mundial e aliviar a alta dos custos dos combustíveis.
O mercado global de petróleo e diesel opera sob forte pressão nesse mês de outubro, impulsionado pelos conflitos no Oriente Médio, interrupções no Estreito de Ormuz e restrições de exportação por grandes produtores russos, além dos recentes e contínuos ataques as refinarias da Rússia.
Além disso, a alta do diesel já tem afetado os custos do agronegócio mundial. Após meses de tensão nos mercados de energia, associados aos conflitos geopolíticos, estoques mais apertados, dificuldades de refino e custos logísticos elevados, o combustível sofre forte pressão, justamente em um contexto importante para operações agrícolas em diferentes regiões produtoras.
Amin Nasser, CEO da estatal saudita Aramco - maior empresa exportadora de petróleo bruto do mundo - alertou que os estoques globais de petróleo caíram de cerca de 10 bilhões para menos de 6 bilhões de barris, com apenas uma fração efetivamente disponível devido a diversas restrições técnicas. “A liberação de parte do que resta nos estoques globais dará algum tempo às economias, mas não resolverá os desequilíbrios entre oferta e demanda. Embora a pressão sobre o petróleo bruto seja séria, os preços dos combustíveis refinados subiram ainda mais. E o consumo de petróleo bruto continua aumentando, e os países precisarão de ainda mais oferta pelos próximos dois anos, pelo menos, enquanto recompõem seus estoques”, afirmou Nasser.
De acordo com Nasser, os produtores do Golfo trabalham para aumentar a produção e as exportações e conseguiram elevar os fluxos de petróleo bruto para níveis próximos aos anteriores à guerra. No entanto, o aumento dos fluxos trouxe pouco alívio aos mercados de petróleo, que continuam precificando os riscos de segurança para a oferta no Golfo Pérsico e no Mar Vermelho.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já recuou da proibição de exportação de diesel e permitiu temporariamente o uso de diesel tingido de vermelho - isento de impostos rodoviários - para agricultores e caminhoneiros, abrandando custos locais.
O Brasil segue vulnerável por importar cerca de 25% do diesel que consome e não possui um fornecedor alternativo de grande escala pronto para substituir rapidamente o volume vindo dos Estados Unidos, enquanto a Petrobras avalia ampliar a autossuficiência
Por sua vez, a China suspendeu temporariamente as exportações de combustíveis em outubro para proteger estoques internos, enquanto a Rússia mantém restrições severas após ataques ucranianos a refinarias.