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Estudantes incendeiam escolas na França durante protestos; diretora ficou ferida

Mobilização contra cortes no orçamento se soma a greves de servidores públicos e aumenta a pressão sobre o governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu

Por Nilton Vilanova

Estudante ateia fogo a barreira durante bloqueio em frente ao liceu Le Corbusier, em Aubervilliers, ao norte de Paris, nesta quinta-feira (1º)

Uma diretora foi atingida por gasolina e ficou ferida em uma escola de Marselha, no Sul da França, nesta quinta-feira (1º), em meio a uma nova onda de protestos de estudantes e greves de servidores públicos. O ataque ocorreu na escola secundaria Victor Hugo, segundo a procuradoria, que não divulgou detalhes sobre o estado de saúde da profissional. 

Dois colégios foram atingidos por incêndios e manifestantes queimaram um caminhão dos bombeiros que tinha ido combater as chamas na escola Saint-Exupéry. Os agentes tiveram de abandonar o veículo, que foi incendiado, informou a polícia. O país registra episódios de violência em diferentes cidades.

Em Nantes, no Oeste do país, o incêndio na escola secundária Nelson Mandela foi controlado e não deixou feridos. Olivier Chateau, assessor do prefeito, disse em entrevista a uma emissora de televisão francesa que o prédio foi esvaziado e que os estudantes que chegavam para as aulas foram mandados de volta para casa.

Em Saint-Denis, nos arredores de Paris, jovens entraram em confronto com a polícia durante uma manifestação. Os manifestantes acusam os agentes de usar gás lacrimogêneo. As autoridades afirmam que a violência foi provocada por grupos que tentavam ampliar os bloqueios.

Entenda os protestos

Os protestos estudantis começaram na semana passada. Os jovens pedem a contratação de mais professores, mais recursos para as escolas e melhores condições de aprendizagem. Também denunciam problemas estruturais nos colégios, como salas superlotadas e dificuldades causadas pelo calor excessivo.

A mobilização acontece ao mesmo tempo em que servidores públicos protestam contra cortes de gastos do governo. A categoria reivindica reajustes salariais, novas contratações e melhores condições de trabalho. Os servidores também contestam o congelamento do índice usado para calcular seus salários.

Desde 2017, o indicador foi reajustado apenas duas vezes, em 2022 e 2023, enquanto a inflação acumulada no período deve chegar a 24,17% até o fim deste ano, segundo o Insee, instituto nacional de estatísticas da França.

Na terça-feira (29), uma jornada nacional de greves e manifestações terminou com ao menos 440 pessoas detidas, a maioria menores de idade. Segundo o Ministério do Interior, cerca de 200 mil pessoas participaram de mais de 170 atos pelo país. A Confederação Geral do Trabalho (CGT), uma das principais centrais sindicais francesas, estimou o público em mais de 300 mil.

Pressão sobre o governo

Os protestos chegam em um momento delicado para o primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, que tenta aprovar um plano de austeridade com corte de 54 bilhões de euros (mais de R$ 316 bilhões) no orçamento de 2027. Sindicatos e outros setores da sociedade resistem às medidas e dizem que o ajuste fiscal não pode comprometer salários e serviços públicos.

O gabinete do primeiro-ministro fez nesta quinta uma reunião de emergência para discutir os protestos, que já deixaram dezenas de feridos. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que, em alguns locais, grupos envolvidos nos distúrbios estavam se deslocando de escola em escola para incentivar a violência.

O ministro da Educação, Édouard Geffray, pediu que os colégios adotem aulas remotas. "A violência não impedirá que nossos alunos exerçam seu direito fundamental à educação", escreveu ele no X.