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Papa celebra missa para 800 mil pessoas em Paris

Esta é a primeira visita de um pontífice a Paris desde Bento XVI, em 2008; viagem acontece em um momento decisivo para a Igreja na França

Por AFP

Pontíficie disse que o princípio da laicidade "não consiste em excluir a religião do espaço público"


O papa Leão XIV, aclamado por cerca de 800.000 pessoas, encerrou neste sábado (26) sua visita a Paris com uma missa multitudinária antes de seguir para Lourdes, nova etapa de sua viagem à França.

A primeira visita de um pontífice a Paris desde Bento XVI, em 2008 vem acompanhada de um amplo entusiasmo popular. Na sexta-feira, o papa reuniu 300.000 pessoas que lhe deram as boas-vindas pelas ruas de Paris e, depois, 80.000 jovens o receberam durante uma vigília no Stade de France.

Neste sábado, o líder espiritual de 1,4 bilhão de católicos desceu a famosa avenida Champs-Elysées partindo do Arco do Triunfo a bordo de seu papamóvel, que parou ao longo do trajeto para abençoar bebês, enquanto o público aplaudia e agitava bandeiras do Vaticano.

"O papa é a estrela!", afirmou Virginie Courtot, de 51 anos, que compareceu acompanhada de sua família. "É o papa de que precisamos atualmente(...) e, depois das graves crises pelas quais a Igreja passou, ele pode relançar a prática ainda mais", adicionou.

A viagem acontece em um momento decisivo para a Igreja na França, país oficialmente laico, onde os batismos de adolescentes e adultos aumentaram nos últimos cinco anos (21.386 neste ano), apesar de a prática religiosa recuar de forma geral.

Assim que chegou, o sumo pontífice advertiu na sexta-feira, diante do presidente francês, Emmanuel Macron, que o princípio da laicidade "não consiste em excluir a religião do espaço público", entre outras mensagens.

O lugar da religião é um tema de tensão recorrente no debate público, sobretudo em torno do uso do véu islâmico, cuja proibição em espaços públicos é proposta pela ultradireitista Marine Le Pen, que lidera as pesquisas para a eleição presidencial de 2027.


"Sede de sentido"

Segundo o Vaticano, 800.000 fiéis foram à Praça da Concórdia e à Champs-Elysées para ouvir pessoalmente a mensagem de seu líder espiritual. Em 1997, com João Paulo II, foram um milhão e, em 2018, com Bento XVI, 260.000.

Sentada a poucos metros do altar, Suzanne Grangé, uma aposentada parisiense de 62 anos, esperava que Leão XIV lançasse "uma mensagem de esperança para os jovens, para que tenham vontade de se comprometer, para que não sintam vergonha de serem cristãos".

Em sua homilia, o pontífice destacou "a sede de sentido, de verdade e de plenitude que habita no coração de cada um", diante da tentação de se contentar "com os bens materiais, com as satisfações imediatas, com estes pequenos ídolos tão numerosos", e considerou os jovens "a Igreja de hoje".

Antes e depois da celebração, as imagens eram de alegria. Voluntários e fiéis de cada paróquia tiravam fotos em grupo, as famílias organizavam piqueniques enquanto as crianças coloriam desenhos do papa.

A organização, no entanto, obrigou as ativistas da associação feminista católica Magdala a retirar uma faixa violeta que haviam estendido com o slogan: "Felizes as que têm sede de justiça", para reivindicar que as mulheres sejam "plenamente acolhidas" na Igreja.

A sete meses da eleição presidencial, vários candidatos estavam presentes na missa, como Le Pen, em companhia do presidente de seu partido, Jordan Bardella, e os ex-primeiros-ministros Édouard Philippe e Gabriel Attal.

Macron, cujo mandato termina em maio, não compareceu, mas escreveu na rede social X que "a França estava orgulhosa de receber o papa Leão XIV e esta missa monumental no coração de Paris".


Lourdes e Metz

Em um momento em que os partidos de extrema direita avançam na Europa com um discurso anti-imigração, Leão XIV decidiu visitar a Casa Bakhita, uma associação católica de ajuda a migrantes onde ouviu o testemunho de exilados do Afeganistão e da Nigéria.

"Fico feliz por começar com vocês neste segundo dia em Paris, nesta casa que é testemunho para toda a cidade de que é possível nos encontrarmos e convivermos com dignidade e paz", destacou o pontífice.

Para os responsáveis pelo centro, a visita era uma "mensagem" em um contexto pré-eleitoral.

Após a missa multitudinária, Leão XIV voará para o santuário de Lourdes para, à noite, presidir uma oração diante da gruta de Massabielle, onde teriam ocorrido as 18 aparições da Virgem Maria a Bernadette Soubirous em 1858.

Neste importante centro de peregrinação católica, ele se reunirá no domingo, em privado, com vítimas de agressões sexuais dentro da Igreja Católica, antes de concluir sua viagem na segunda-feira em Metz, com um discurso sobre a paz e a União Europeia.