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Na Assembleia Geral da ONU o Irã diz ser vítima de terrorismo dos EUA

O presidente iraniano também garantiu que o Irã não irá se render e que acredita na diplomacia

Por Isabel Alvarez

Presidente iraniano, Masoud Pezeskhian

Nesta quarta-feira (23), em seu discursou na Assembleia Geral da ONU, o presidente iraniano, Masoud Pezeskhian, respondeu às acusações de Donald Trump no dia anterior.

“O presidente norte-americano descreveu-nos como terroristas. Temos sido vítimas de terrorismo. Crianças morreram em uma escola sob as bombas dos Estados Unidos e Israel. Nós apenas nos defendemos. Não somos terroristas. O Irã não curvou a cabeça. Precisamos ser fortes e poderosos para resistir aos Estados Unidos, que não respeitam as leis internacionais", afirmou Pezeskhian.

Por outro lado, o chefe de Estado do Irã discursou sem a presença dos representantes dos EUA, que abandonaram o local.

Em relação às armas nucleares, Pezeshkian reiterou que o governo de Teerã não irá desistir do que é seu. “Dizemos claramente que não queremos armas nucleares e não queremos limitações à tecnologia nuclear pacífica. O país precisa de energia nuclear, não de bomba nuclear”, enfatizou.

O presidente iraniano também garantiu que o Irã não irá se render e que acredita na diplomacia.

Enquanto isso, o Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, reconheceu que o Estreito de Ormuz é "um problema", mas que os EUA vão continuar a lutar e manter o estreito aberto. "Trump tem diversas opções à disposição, incluindo militares. Se faremos um acordo com o Irã, isso envolverá trabalho duro durante um período de tempo", indicou o chefe da diplomacia.

Conversações sobre reabertura de Ormuz

As agências de notícias internacionais revelaram que a delegação iraniana teve conversas indiretas com Washington na terça-feira sobre a abertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio marítimo imposto pelos norte-americanos aos portos iranianos.

Segundo ainda a mídia estatal iraniana, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, se reuniu, em Nova Iorque, com o enviado norte-americano Steve Witkoff. “Araghchi disse a Witkoff que as condições de Teerã para a reabertura do Estreito de Ormuz incluíam a suspensão imediata do bloqueio naval dos EUA, a rápida liberação de todos os bens iranianos congelados, assim como o fim da guerra em todas as frentes", reportou o canal estatal iraniana IRIB.

Já Trump havia descrito antes como "muito bom" o encontro realizado entre representantes norte-americanos e iranianos, pouco depois de ter ameaçado "aniquilar" o Irã durante o seu discurso na Assembleia-Geral da ONU.

Por sua vez, a alta representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, divulgou na rede social X que se reuniu com Abbas Araghchi, à margem da Assembleia Geral da ONU, onde abordaram as perspectivas diplomáticas para pôr fim à guerra entre os EUA e o Irã e reabrir totalmente o Estreito de Ormuz.

"Não havia portagens ou taxas de passagem antes da guerra, e não deve haver nenhuma após o conflito. A navegação deve ser livre e desimpedida, tanto no estreito de Ormuz como no estreito de Bab el-Mandeb", sublinhou a chefe da diplomacia da UE.

Kallas acrescentou que conversou com Araghchi a questão da repressão interna no Irã, incluindo o aumento acentuado das execuções e das sentenças de morte.