Guterres faz seu último discurso na Assembleia-geral da ONU e expõe as atuais ameaças mundiais
O secretário-geral da ONU traduziu o contexto mundial nesta última década e deixou vários alertas aos dirigentes globais presentes em Nova Iorque.
Publicado: 22/09/2026 às 14:01
António Guterres ( TIMOTHY A. CLARY / AFP)
Em seu último discurso na Assembleia Geral da ONU, antes de deixar a liderança das Nações Unidas, António Guterres deixou vários alertas aos dirigentes globais presentes em Nova Iorque.
O secretário-geral da ONU traduziu o contexto mundial nesta última década, marcada pelas consequências com os conflitos na Europa e no Oriente Médio e que levaram, destacou, a uma crueldade desprezível e a vítimas civis inocentes.
“Há uma convergência de ameaças sem precedentes no mundo. As fraturas atuais que estão se alargando e as fissuras se tornaram abismos. O direito internacional foi descartado. As divisões geopolíticas aprofundaram-se. As desigualdades intensificaram-se. A confiança desgastou-se. A crise climática passou de um alerta longínquo para uma realidade diária. E a inteligência artificial avançou a uma velocidade que apanhou de surpresa até mesmo aqueles que a criaram. Não são crises isoladas. São capítulos da mesma história. A história do poder. Quem o detém. A quem é negado. Como é utilizado. E como está a mudar”, declarou Guterres.
O chefe das Nações Unidas também ressaltou os riscos no avanço desenfreado da Inteligência artificial e assinalou que as lideranças com maiores envergaduras nesta área têm um dever e um encargo acrescido com a humanidade. Guterres advertiu para os perigos da tecnologia sem responsabilidade, da capacidade sem supervisão e da tomada de decisões sem transparência.
"Este perigo não pode ser minimizado. Os próprios programadores que constroem estes sistemas estão agora a fazer soar o alarme", afirmou, em referência aos recentes alertas de alguns executivos da própria indústria de IA, que defendem limites ao desenvolvimento de ponta e avisaram sobre os riscos no ritmo acelerado em que a tecnologia está se desenvolvendo.
Guterres enfatizou que o primeiro dever de um Governo é proteger o seu povo e, nesse sentido, os executivos devem assumir responsabilidades perante os perigos resultantes da IA. "Os Governos com as maiores capacidades em IA têm as maiores responsabilidades para com a humanidade. Os países que lideram esta revolução tecnológica devem partilhar informação sobre os riscos emergentes para a segurança. Cooperar nos testes e avaliações. E trabalhar em prol de salvaguardas comuns que protejam a todos. Governar a inteligência artificial antes que ela nos governe", sublinhou.