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Israel fecha consulado britânico em Jerusalém após sanções contra assentamentos

A medida é uma retaliação às sanções contra os assentamentos israelenses na Cisjordânia impostas pelo governo britânico e por outros países ocidentais

Por Isabel Alvarez

Bandeira de Israel

Israel anunciou nesta terça-feira (8) o encerramento do consulado do Reino Unido em Jerusalém. A medida é uma retaliação às sanções contra os assentamentos israelenses na Cisjordânia impostas pelo governo britânico e por outros países ocidentais.

“O fechamento ainda implicará a retirada dos representantes britânicos do centro de coordenação na Faixa de Gaza e a suspensão das atividades de formação prestadas pelas forças britânicas às tropas da Autoridade Palestina na Cisjordânia”, afirmou Gideon Sa'ar, ministro israelense das Relações Exteriores.

Sa'ar também comunicou que será proibida a entrada de 12 cidadãos britânicos no país, classificados por Tel Aviv como "anti-Israel" e "antissemitas". Entre os vetados estão parlamentares, incluindo o ex-líder do Partido Trabalhista Jeremy Corbyn, e um advogado que representou o Hamas.

"O povo judeu tem o direito de viver em toda a terra de Israel", declarou o chefe da diplomacia israelense, sem responder às perguntas dos jornalistas.

Novas sanções em Londres

O governo de Londres anunciou hoje novas sanções para proibir a importação de bens provenientes das colônias israelenses na Cisjordânia.

Em declaração no Parlamento, o ministro britânico das Relações Exteriores, Ed Miliband, explicou que as medidas também visam empresas e indivíduos relacionados à expansão dos assentamentos, acusando colonos extremistas de promoverem uma limpeza étnica contra palestinos na região.

Para Gideon Sa'ar, a decisão do Reino Unido constitui uma "grave interferência" no processo eleitoral de Israel, às vésperas das eleições legislativas marcadas para outubro.

A intervenção de Miliband foi seguida por um comunicado conjunto assinado por 12 países, anunciando a introdução de restrições nacionais e o apoio a medidas europeias para limitar o comércio de bens originários de áreas ocupadas.

No documento, os chanceleres de Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Islândia, Irlanda, Noruega, Polônia, Portugal, Espanha, Suécia e Reino Unido afirmaram que "a situação na Cisjordânia está se deteriorando rapidamente perante níveis sem precedentes de violência de colonos e expansão de assentamentos".

O grupo exigiu que Israel suspenda imediatamente a expansão das colônias e a transferência de poderes administrativos civis, assegure a responsabilização pela violência cometida por colonos e investigue as denúncias contra as forças israelenses.

Histórico da ocupação

Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967, após a Guerra dos Seis Dias, mantendo também a anexação de Jerusalém Oriental — atos não reconhecidos pela comunidade internacional. Atualmente, mais de 500 mil israelenses vivem em colônias na Cisjordânia, consideradas ilegais pelas Nações Unidas e pela maior parte dos organismos multilaterais à luz do direito internacional.

A política de colonização é mantida por sucessivos governos israelenses desde 1967, mas se intensificou após a formação da coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu com a extrema-direita, no final de 2022, ganhando novo impulso após os ataques do Hamas em outubro de 2023. Desde então, a violência escalou na Cisjordânia, com ataques diários de colonos e incursões militares frequentes em comunidades palestinas.