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França se une à União Africana na luta por mapas mundiais mais representativos e justos

União Africana apresenta à ONU, nesta sexta-feira (3), um documento para promover projeções cartográficas mais justas ou mais científicas, que sejam mais fiéis ao tamanho real dos continentes

Por AFP

Os mapas mais tradicionais utilizados na educação trazem distorções importantes do tamanho dos países, com amplo benefício aos situados mais próximos aos pólos

A diplomacia francesa anunciou, nesta sexta-feira (4), que abandonará os mapas-múndi que utilizam a projeção de Mercator, o padrão cartográfico por séculos, argumentando que ela contribui para supervalorizar visualmente certas regiões em detrimento de outras, particularmente a África.

Este anúncio ocorre no momento em que, por iniciativa da União Africana e com o apoio francês, um documento será apresentado à ONU nesta sexta-feira (3) para promover projeções cartográficas mais justas ou mais científicas, que sejam mais fiéis ao tamanho real dos continentes, segundo uma fonte diplomática.

A dificuldade com os mapas reside em como traduzir a forma esférica da Terra para uma superfície plana. O geógrafo, cartógrafo, filósofo e teólogo Gerardus Mercator, nascido em 1512 no que hoje é a Bélgica, apresentou a projeção que leva seu nome em 1569 para facilitar a navegação marítima.

Mas seu mapa eurocêntrico distorce as áreas próximas aos polos enquanto encolhe as regiões equatoriais, fazendo com que regiões como a Europa e a América do Norte pareçam muito maiores do que realmente são, enquanto a África e a América do Sul parecem menores.

A Groenlândia, portanto, aparenta ter o mesmo tamanho que a África e a América do Sul, quando, na realidade, o continente africano é 14 vezes maior que a ilha ártica, e o Brasil sozinho é quatro vezes maior.

O Ministério das Relações Exteriores da França "abandonará a projeção de Mercator em favor de representações cartográficas adaptadas aos usos atuais, mais fiéis às áreas reais do território e de acordo com as recomendações de cartógrafos e cientistas", declarou o ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, em Paris.