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Ministro israelense apresenta plano para expulsar palestinos e esvaziar Gaza

Às vésperas das eleições em Israel, a proposta do membro do partido de extrema direita é avaliada como de caráter eleitoral

Por AFP

Meninos acenam bandeiras palestinas durante funeral dos jovens Khalil Rasem, de 16 anos, e Omar Mohammad Naji al-Nassan, de 19

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, apresentou nesta quinta-feira (3) um plano para expulsar os palestinos da Faixa de Gaza e enviá-los para o exterior.

Ben Gvir, do partido de extrema direita Poder Judaico, apresentou uma proposta para expulsar 250 mil palestinos de Gaza em um ano, um projeto de forte caráter eleitoral antes das eleições gerais de 27 de outubro em Israel.

Os aproximadamente dois milhões de habitantes restantes desse território devastado pela guerra entre Israel e o grupo islamista Hamas sairiam ao longo dos seis anos seguintes.

"É realista", declarou o ministro, membro da coalizão governista e frequentemente criticado no exterior.

"Temos que incentivar a emigração dos habitantes de Gaza", acrescentou Ben Gvir, que declarou que, em sua opinião, o plano não significa obrigar os palestinos a abandonar suas terras.

Ele também afirmou que vários países estão "dispostos" a acolher os habitantes de Gaza. Não especificou quais.

O deslocamento forçado de civis de um território ocupado é considerado um crime de guerra segundo a Convenção de Genebra.

Na memória dos palestinos, qualquer tentativa de expulsá-los de suas terras remete à "Nakba", termo que significa catástrofe e descreve o êxodo de 1948 após a fundação do Estado de Israel.

Ben Gvir é um aliado fundamental na frágil coalizão do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, do partido de direita Likud, mas seus comentários já provocaram condenações internacionais.

Em agosto, o ministro disse que Israel deveria matar "30 ou 40" pessoas todas as noites em Gaza, o que provocou repúdio da ONU e de países como França e Alemanha.

As eleições de 27 de outubro são apontadas como muito acirradas, e não está claro se os partidos que atualmente integram o governo continuarão no poder.

O ministro da Defesa, Israel Katz, do Likud, afirmou que o governo tem planos para deslocar os palestinos de Gaza, mas aguarda que os Estados Unidos decidam para onde levá-los.