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Irã executou mais de 500 pessoas até agora em 2026, diz ONG

Levantamento da Iran Human Rights, com sede na Noruega, contabiliza pelo menos 29 pessoas executadas ligadas aos protestos antigovernamentais de janeiro

Por AFP

Shahram Sadeghi é a 27ª pessoa executada em conexão com os protestos de janeiro desde 19 de março

O Irã executou mais de 500 pessoas desde o início do ano, após um novo aumento dos enforcamentos nos últimos dias, apesar de o presidente americano, Donald Trump, ter exigido que fossem interrompidos, informou uma ONG nesta quinta-feira (27).

Pelo menos 511 pessoas foram executadas em 2026, segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, incluindo pelo menos 29 pessoas ligadas aos protestos antigovernamentais de janeiro.

Entre os executados há pelo menos 16 mulheres e 13 "presos políticos" afiliados a grupos de oposição proibidos, destacou a organização.

Os ativistas acusam o Irã de usar a pena de morte como meio de intimidar a população após os protestos e a guerra deflagrada em 28 de fevereiro com os ataques dos Estados Unidos e de Israel.

"Todas as execuções, independentemente das acusações, têm um claro objetivo interno: gerar medo e evitar novos protestos", declarou à AFP o diretor da IHR, Mahmood Amiry-Moghaddam. "Tememos que essa tendência possa piorar nos próximos meses", acrescentou.

Desde 19 de março, também foram executadas duas pessoas em conexão com os protestos que eclodiram em 2022, após a morte sob custódia da jovem curdo-iraniana Mahsa Amini, detida em Teerã por supostamente violar o código de vestimenta.

Trump escreveu na terça-feira em sua rede Truth Social que o Irã "mata manifestantes, mesmo quando não estão se manifestando, em uma magnitude nunca antes vista".

"Trata-se de uma crise humanitária de proporções épicas e precisa ser interrompida AGORA", acrescentou.

Amiry-Moghaddam afirmou que, durante a guerra, a comunidade internacional concentrou-se na reabertura do Estreito de Ormuz e no conflito, o que deu "às autoridades uma margem maior para executar manifestantes, presos políticos e pessoas condenadas à morte".

O responsável celebrou os comentários de Trump e afirmou que "uma maior atenção aumenta o custo político para a República Islâmica".

A IHR afirma que centenas de outros manifestantes foram condenados à morte ou enfrentam acusações que podem acarretar a pena capital.

Segundo a Anistia Internacional, o Irã executou pelo menos 2.159 pessoas em 2025. No entanto, as autoridades parecem estar intensificando as execuções de manifestantes e de pessoas consideradas presos políticos durante o conflito.

Mais de 30 países, entre eles França, Reino Unido e Canadá, condenaram neste mês o uso da pena de morte pelo Irã, afirmando que está executando manifestantes para "silenciar a dissidência".