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Alemanha, França, Itália e Reino Unido pedem que Israel interrompa expansão de assentamentos na Cisjordânia

Plano E1 do governo de Israel determina anexação do restante do território palestino

Por AFP

Cortejo fúnebre do palestino Salim Fuqaha, de 17 anos. Corpo estava retido pelas autoridades israelenses desde 16 de março, na Cisjordânia

Alemanha, França, Itália e Reino Unido intensificaram nesta quinta-feira (20) a crescente condenação internacional a um projeto de assentamento na Cisjordânia ocupada, após as autoridades israelenses abrirem uma licitação para mais de 1.200 moradias na área.

O plano E1, aprovado pelo governo israelense no ano passado, separaria ainda mais Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel e de maioria palestina, do restante da Cisjordânia.

“Em um momento de grave instabilidade na Cisjordânia, com níveis sem precedentes de violência por parte de colonos contra civis e sérias restrições à economia palestina, esta decisão é ainda mais preocupante”, afirma o comunicado conjunto de Berlim, Paris, Roma e Londres.

O documento insta Israel "a suspender imediatamente esses planos e pôr fim à expansão de seus assentamentos na Cisjordânia". "O direito internacional estabelece claramente que os assentamentos israelenses na Cisjordânia são ilegais", apontam os quatro países.

“Essa é a posição da comunidade internacional, reafirmada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas”, acrescenta o comunicado.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o plano E1 representa uma "ameaça existencial" para a continuidade territorial de um Estado palestino.

O ministro das Relações Exteriores da Bélgica, Maxime Prévot, classificou as licitações como "inaceitáveis" e disse que o projeto "prejudicaria seriamente a viabilidade da solução de dois Estados".

A condenação ecoou uma declaração do principal diplomata britânico, Ed Miliband, feita na quarta-feira, na qual ele exigiu o fim do projeto e da expansão dos assentamentos na Cisjordânia. Na ocasião, Londres convocou o encarregado de negócios de Israel.

Seu par israelense, Gideon Saar, reagiu nesta quinta-feira: "O povo judeu tem o direito de viver em toda a Terra de Israel, assim como os britânicos têm o direito de viver em Londres e em todo o Reino Unido", escreveu no X.

O plano E1 prevê a construção de cerca de 3.400 residências em uma faixa de terra situada entre Jerusalém e o assentamento israelense de Ma'ale Adumim. A mais recente licitação abrange mais de 1.200 unidades habitacionais, segundo a ONG israelense Peace Now.

No ano passado, França e Reino Unido estiveram entre os 21 países que condenaram a aprovação israelense do E1, por considerá-lo uma violação do direito internacional.