Irã condena cantora a quatro anos de prisão por realizar show com homens na plateia
Hiwa Seyfizade já havia sido presa após realizar um show no YouTube sem véu e em junho foi condenada a receber 74 chicotadas por "incitação à corrupção e à prostituição"
A cantora iraniana Hiwa Seyfizade foi condenada a quatro anos de prisão por "incitação à corrupção e à prostituição" após realizar um show no final de fevereiro em Teerã, onde recitou alguns versos de um famoso poeta persa.
"Há anos me dedico à música iraniana (...) Durante todos esses anos, apesar dos problemas, das condições e das limitações que existem para mim e para os cantores, tentei me dedicar ao que amo", reagiu a própria artista em um vídeo que publicou em suas redes sociais após a sentença proferida na quarta-feira.
Seyfizade questionou "como a leitura da poesia de Saadi ou de uma canção iraniana pode incitar à corrupção e à prostituição" e anunciou que esgotará todos os recursos legais para reverter a condenação, que lembra outros casos, como o da cantora Parastu Ahmadi.
No final de 2024, Ahmadi foi presa após realizar um show pela plataforma YouTube, no qual podia ser vista cantando sem véu. Em junho deste ano, ela foi condenada, juntamente com oito pessoas de sua equipe, a receber 74 chicotadas, além de ter sido proibida, por dois anos, de sair do país e de realizar atividades artísticas.
As apresentações públicas de cantoras são proibidas no Irã, especialmente se houver homens na plateia. A legislação draconiana iraniana provocou, nos últimos anos, um aumento dos protestos de muitas mulheres, como o ocorrido no final de 2022, que foram reprimidos violentamente pela polícia.
As mulheres iranianas têm se rebelado contra as rigorosas leis iranianas que as oprimem, que abrangem restrições de todos os tipos, incluindo as relacionadas ao vestuário. Em setembro de 2002, Mahsa Amini, de 22 anos, foi detida por não usar o hijab de acordo com as normas. Ela morreu sob custódia policial após ser brutalmente espancada.
Esse episódio voltou a destacar a difícil situação que as mulheres vivem no Irã e provocou uma onda de protestos tanto dentro quanto fora do país. As autoridades iranianas reagiram com dureza e mais de 500 pessoas morreram durante os protestos que ocorreram entre 2022 e 2023.
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