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EUA e Arábia Saudita atacam grupos pró-iranianos no Iraque

Os ataques norte-americanos e sauditas no leste do Iraque aconteceram após os militares dos EUA afirmarem que as suas defesas aéreas impediram um ataque surpresa iraniano contra as suas tropas na região.

Por Isabel Alvarez

Bombardeio dos Estados Unidos no Oriente Médio

Nesta quarta-feira (29), as forças norte-americanas e súditas lançaram ofensivas em conjunto no Iraque contra milícias do país que são apoiadas pelo Irã, em resposta a ataques contra alvos dos Estados Unidos e instalações petrolíferas da Arábia Saudita.
Os bombardeios atingiram posições das Forças de Mobilização Popular (FMP), uma aliança integrada com membros das forças armadas iraquianas, e matou pelo menos 20 combatentes, segundo comunicado da aliança. As FMP classificaram os ataques como uma agressão dos EUA e da Arábia Saudita, que visaram as suas bases em sete cidades, incluindo a capital Bagdá, causando diversos danos. A coligação alertou sobre uma escalada perigosa contra as instituições oficiais de segurança.

Os ataques norte-americanos e sauditas no leste do Iraque aconteceram após os militares dos EUA afirmarem que as suas defesas aéreas impediram um ataque surpresa iraniano contra as suas tropas na região. O Comando Central dos Estados Unidos anunciou que todos os mísseis iranianos disparados contra as suas forças no Oriente Médio foram interceptados.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ainda prometeu atacar o Irã com força depois deste incidente. Trump revelou que os EUA se coordenaram com o governo do Iraque antes dos ataques à milícia pró-iraniana e não descartou novas ações contra grupos armados na região, que descreveu como um “câncer no mundo”.

A Arábia Saudita também anunciou ontem que as suas defesas aéreas interceptaram quase 30 que tinham como alvo instalações petrolíferas do país. O Ministério da Defesa saudita declarou que não objetivava escalara as tensões, mas que retaliaria qualquer agressão.

Já o novo primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, que chegou ao poder este ano com o apoio da Casa Branca, enfrenta a resistência de algumas facções poderosas. Al-Zaidi convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional iraquiano na sequência do ataque. “A reunião reafirmou a posição firme e de rejeição do governo em relação a todos os atos hostis, independentemente da parte executora ou das justificações invocadas, sublinhando que lidar com e confrontar tal agressão é uma responsabilidade exclusiva do governo iraquiano”, declarou o conselho após a reunião.

Mas, o Kata'ib Hezbollah, grupo paramilitar xiita, pró-Irã que opera no Iraque, disse que uma resposta aos ataques dos EUA e Arábia Saudita contra posições de milícias leais à Guarda Revolucionária no país é inevitável. O grupo garantiu que a reação poderá visar alvos americanos na Arábia Saudita, e estipulou um prazo até 6 de agosto ao governo iraquiano para mostrar que consegue defender a soberania do país.

Por outro lado, uma autoridade da defesa iraniana negou veementemente na emissora estatal IRIB qualquer ligação entre os drones disparados de outros países contra alvos sauditas e que atribuir ataques contra interesses americanos na região ao Irã foi um grande erro de cálculo.

Entretanto, Teerã confirmou ter disparado mísseis balísticos contra instalações militares norte-americanas na Jordânia, argumentando que foi uma resposta às ações agressivas do exército norte-americano e às ameaças das autoridades de Washington.
"Enquanto persistirem as ameaças contra a República Islâmica do Irã e se mantiverem as ações ilegais e maliciosas das forças norte-americanas contra os nossos interesses, a resistência também continuará”, afirmou a Guarda Revolucionária do Irã.