EUA e Arábia Saudita atacam grupos pró-iranianos no Iraque
Os ataques norte-americanos e sauditas no leste do Iraque aconteceram após os militares dos EUA afirmarem que as suas defesas aéreas impediram um ataque surpresa iraniano contra as suas tropas na região.
Nesta quarta-feira (29), as forças norte-americanas e súditas lançaram ofensivas em conjunto no Iraque contra milícias do país que são apoiadas pelo Irã, em resposta a ataques contra alvos dos Estados Unidos e instalações petrolíferas da Arábia Saudita.
Os bombardeios atingiram posições das Forças de Mobilização Popular (FMP), uma aliança integrada com membros das forças armadas iraquianas, e matou pelo menos 20 combatentes, segundo comunicado da aliança. As FMP classificaram os ataques como uma agressão dos EUA e da Arábia Saudita, que visaram as suas bases em sete cidades, incluindo a capital Bagdá, causando diversos danos. A coligação alertou sobre uma escalada perigosa contra as instituições oficiais de segurança.
Os ataques norte-americanos e sauditas no leste do Iraque aconteceram após os militares dos EUA afirmarem que as suas defesas aéreas impediram um ataque surpresa iraniano contra as suas tropas na região. O Comando Central dos Estados Unidos anunciou que todos os mísseis iranianos disparados contra as suas forças no Oriente Médio foram interceptados.
O presidente dos EUA, Donald Trump, ainda prometeu atacar o Irã com força depois deste incidente. Trump revelou que os EUA se coordenaram com o governo do Iraque antes dos ataques à milícia pró-iraniana e não descartou novas ações contra grupos armados na região, que descreveu como um “câncer no mundo”.
A Arábia Saudita também anunciou ontem que as suas defesas aéreas interceptaram quase 30 que tinham como alvo instalações petrolíferas do país. O Ministério da Defesa saudita declarou que não objetivava escalara as tensões, mas que retaliaria qualquer agressão.
Já o novo primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, que chegou ao poder este ano com o apoio da Casa Branca, enfrenta a resistência de algumas facções poderosas. Al-Zaidi convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional iraquiano na sequência do ataque. “A reunião reafirmou a posição firme e de rejeição do governo em relação a todos os atos hostis, independentemente da parte executora ou das justificações invocadas, sublinhando que lidar com e confrontar tal agressão é uma responsabilidade exclusiva do governo iraquiano”, declarou o conselho após a reunião.
Mas, o Kata'ib Hezbollah, grupo paramilitar xiita, pró-Irã que opera no Iraque, disse que uma resposta aos ataques dos EUA e Arábia Saudita contra posições de milícias leais à Guarda Revolucionária no país é inevitável. O grupo garantiu que a reação poderá visar alvos americanos na Arábia Saudita, e estipulou um prazo até 6 de agosto ao governo iraquiano para mostrar que consegue defender a soberania do país.
Por outro lado, uma autoridade da defesa iraniana negou veementemente na emissora estatal IRIB qualquer ligação entre os drones disparados de outros países contra alvos sauditas e que atribuir ataques contra interesses americanos na região ao Irã foi um grande erro de cálculo.
Entretanto, Teerã confirmou ter disparado mísseis balísticos contra instalações militares norte-americanas na Jordânia, argumentando que foi uma resposta às ações agressivas do exército norte-americano e às ameaças das autoridades de Washington.
"Enquanto persistirem as ameaças contra a República Islâmica do Irã e se mantiverem as ações ilegais e maliciosas das forças norte-americanas contra os nossos interesses, a resistência também continuará”, afirmou a Guarda Revolucionária do Irã.