EUA e Arábia Saudita firmam acordo para desenvolver programa nuclear saudita
O acordo prevê que a Arábia Saudita produza urânio enriquecido em uma instalação que será construída pelos Estados Unidos em território saudita.
Segundo noticiou a imprensa norte-americana, os Estados Unidos e a Arábia Saudita estabeleceram um acordo para o desenvolvimento do programa nuclear civil saudita. O governo de Riade poderá produzir urânio enriquecido numa base que será construída pelos EUA em território saudita.
O canal CBS News indicou que o anúncio oficial de Washington é esperado para as próximas horas, enquanto o The Wall Street Journal publicou que o acordo já foi aprovado pelo presidente Donald Trump e está estimado em dezenas de milhares de milhões de dólares para os EUA.
O acordo terá uma duração de 30 anos e poderá ser anunciado ainda hoje, avançou uma fonte governamental. A mídia acrescenta que o documento aponta que empresas norte-americanas fornecerão tecnologia e conhecimento especializado para o desenvolvimento do programa saudita além de que estarão envolvidas na construção da instalação que poderá ser usada como combustível para centrais nucleares e também na fabricação de bombas atômicas.
O jornal New York Times sublinhou que o acordo EUA-Arábia Saudita não está condicionado à normalização das relações diplomáticas entre os sauditas e Israel. A busca da normalização das relações entre Riade e Tel Aviv tem sido um objetivo dos sucessivos presidentes norte-americanos.
Por outro lado, especialistas nucleares e ex-funcionários israelenses manifestaram preocupação com a possibilidade de o plano poder permitir à Arábia Saudita vir a criar uma arma nuclear.
A administração Trump planeja enviar o acordo ao Congresso apos ser anunciado. Porém, qualquer acordo que conceda à Arábia Saudita acesso a tecnologia nuclear poderá se revelar polêmico, tanto internamente como no Oriente Médio, porque enriquecer combustível nuclear poderá, em teoria, conduzir futuramente ao desenvolvimento de armas nucleares. Já o acordo, revelou a fonte, inclui limitações quanto ao tipo de inspeções que poderão ser realizadas ao programa saudita, o que poderá suscitar ceticismo entre os legisladores.
É esperado que alguns deputados de ambos os partidos se oponham ao acordo, apesar do Partido Republicano de Trump controlar ambas as câmaras do Congresso.