Nova espécie de tubarão que pode andar fora d'água é descoberta
Com cerca de um metro de comprimento, o tubarão é noturno e se alimenta de invertebrados no fundo do mar
Uma nova espécie de tubarão capaz de andar fora d'água foi descoberta em águas rasas do sudeste da Papua Nova Guiné, na Oceania. O animal usa as quatro nadadeiras como membros para se locomover sobre recifes durante a maré baixa e foi descrito em artigo publicado esta semana no Journal of the Ocean Science Foundation por pesquisadores da Universidade de Sunshine Coast, na Austrália.
A descoberta aconteceu durante um mergulho noturno na Baía de Milne, enquanto a equipe investigava populações de tubarões-epaulette - família já conhecida justamente pela habilidade de caminhar. Foi a doutoranda Jess Blakeway quem, à luz do barco, percebeu que o espécime recém-capturado não se parecia com nenhum dos que ela havia estudado antes.
"Imediatamente reconheci que o padrão de cores era diferente de qualquer outra espécie com que já havia trabalhado", disse Blakeway, autora principal do artigo. O que a surpreendeu foram traços brancos ao longo do corpo marrom do animal, em nada parecido com as manchas em estilo leopardo que a equipe esperava encontrar.
O espécime havia sido capturado à mão pela pesquisadora sênior Dra. Christine Dudgeon, a mesma que deu nome à nova espécie. Oficialmente batizado de Hemiscyllium dudgeonae, o animal também recebeu um nome local: kadedekedewa, que significa, aproximadamente, "tubarão-cão" ou "tubarão preguiçoso", uma referência ao andar lento e de quatro membros que o distingue.
Com cerca de um metro de comprimento, o tubarão é noturno e se alimenta de invertebrados no fundo do mar. Não representa perigo para humanos.
Ao todo, 12 indivíduos com o mesmo padrão foram encontrados ao longo de três noites de busca. Só com a análise genética das amostras, de volta à Austrália, a equipe pôde confirmar que se tratava de uma espécie inédita para a ciência; a primeira do gênero Hemiscyllium desde 2013 e a décima conhecida no total.
A descoberta, porém, chegou acompanhada de preocupação. O H. dudgeonae tem distribuição extremamente restrita - vive apenas em uma pequena área do sudeste da Papua Nova Guiné -, o que o torna vulnerável à degradação do habitat, à pesca predatória e às mudanças climáticas. Em outubro, a equipe deve retornar à região para coletar mais dados e subsidiar uma avaliação pela Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).
"Esperamos ajudar a IUCN a classificar a espécie como vulnerável ou em perigo de extinção", disse Blakeway.
O dado não é isolado: cinco das dez espécies da família já constam na Lista Vermelha como ameaçadas - e o critério usado para classificá-las, que leva em conta a distribuição geográfica restrita, se aplica a apenas 3% de todos os tubarões do mundo.
O estudo recebeu financiamento da Conservation International, da Fundação de Ciência do Pacífico Australiano, da Shark Foundation e do Fundo Marinho VanDyson.
*Com informações da UniSC News/Journal of the Ocean Science Foundation