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Fim da taxa das blusinhas ameaça 109 mil postos de trabalho, afirma CNI

Com o retorno das discussões no Congresso, entidade também aponta que a extinção do Imposto de Importação no Programa Remessa Conforme coloca em risco R$ 21,8 bilhões em produção das empresas domésticas

Por Raphael Pati - Correio Braziliense

Neste ano, o programa deve movimentar 249,5 milhões de remessas, no valor de US$ 4,6 bilhões

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou uma pesquisa que aponta possíveis impactos da manutenção do fim do Imposto de Importação (II) sobre as remessas do Programa Remessa Conforme (PRC). A chamada “taxa das blusinhas” vigorou por quase dois anos, até ser descontinuada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em abril de 2026.

Segundo a entidade, a retirada do imposto pode colocar em risco, somente em 2026, cerca de R$ 21,8 bilhões em produção doméstica e 109 mil postos de trabalho na economia brasileira. A estimativa equivale a uma perda de R$ 3,11 em produção doméstica para cada R$ 1,00 adicional importado por meio do PRC. Desse montante, R$ 2,21 correspondem à produção da indústria de transformação.

Neste ano, o programa deve movimentar 249,5 milhões de remessas, no valor de US$ 4,6 bilhões, o que representa crescimentos de 56,3% e 65,7%, respectivamente, em relação ao ano anterior. Segundo a CNI, parte dessa expansão ocorreria independentemente da retirada do imposto. Para 2026, a entidade estimava um crescimento de 22,1% no número de remessas e de 16,2% no valor movimentado em relação a 2025, impulsionado pela dinâmica própria do comércio eletrônico internacional.

Por outro lado, a retirada da taxa das blusinhas seria responsável por um crescimento adicional de 28% no volume de remessas e de aproximadamente 42% no valor movimentado, em comparação com o cenário projetado caso a política anterior tivesse sido mantida.

 

Governo quer acelerar tramitação
Antes prevista apenas para a próxima semana, a discussão sobre a Medida Provisória (MP) que extinguiu o imposto foi antecipada para esta sexta-feira (28), durante reunião do colegiado. A expectativa é que o parecer seja votado já na próxima terça-feira (1º/9).

As conversas sobre o tema se intensificaram nos últimos dias, após uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O texto precisa ser votado até 8 de setembro para não perder a validade.

O governo federal está otimista com a aprovação da MP. Com a proximidade das eleições, a avaliação é de que os parlamentares devem evitar rejeitar medidas populares, como o fim da taxa sobre compras de até US$ 50 em plataformas de comércio eletrônico internacional. Na reunião do colegiado desta sexta-feira, também será definido o relator da medida.

Confira matéria no Correio Braziliense.