Indenizações de seguros residenciais têm alta de 296,2% em Pernambuco
Alagamentos provocados por fortes chuvas no estado podem estar entre os motivos do aumento na procura do serviço
O aumento das chuvas e da frequência de eventos climáticos extremos pode estar influenciando a procura por seguros residenciais em Pernambuco e no Nordeste. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostram que, até o primeiro bimestre de 2026, as indenizações desse tipo de seguro cresceram 296,2% no estado em relação ao mesmo período do ano passado.
De acordo com a CNSeg, nos primeiros dois meses do ano, as indenizações somaram R$ 1,7 milhões. Em 2025, esse valor durante o ano todo foi de R$ 3,9 milhões.
Até fevereiro de 2026, Pernambuco arrecadou R$ 16 milhões com apólices de seguro residencial (novas contratações e renovações).O valor representa uma alta de 14,7% em relação ao ano anterior. A alta foi maior que a registrada no país, que foi de 11% no primeiro bimestre do ano.
A diretora executiva do Sindicato das Seguradoras Norte e Nordeste (Sindsegnne), Emerita Lyra, orienta que quem deseja buscar por um seguro residencial deve procurar um corretor de seguros.
“Esse profissional vai orientar dentro da necessidade do cliente e indicar qual a empresa se adequa melhor às necessidades dele. Os seguros residenciais oferecem uma série de serviços, inclusive o de assistência 24 horas”, aponta.
Ela explica que, no caso da cobertura em caso de enchentes, a maioria das empresas com o serviço oferece assistência 24 horas, além de limpeza do imóvel, que é feita após um alagamento ou inundação.
Sobre a cobertura de danos e outros prejuízos causados ao imóvel, Emerita explica que isso depende da política de aceitação de cada seguradora.
O corretor de seguros, Nilton Bandeira, que mora no Recife, conta que já foi acobertado pelo seguro residencial, quando a sua casa, localizada em Gravatá, no Agreste de Pernambuco, ficou alagada. “Nesse dia, o rio transbordou e entrou em várias casas, inclusive na minha. Após a enchente, utilizamos a assistência 24 horas do seguro no dia seguinte quando a água baixou para fazer a limpeza da casa e da cisterna que ficou cheia de lama por causa do alagamento”, relata.
Ainda de acordo com ele, por causa do alagamento, apenas um móvel foi perdido. Porém, esse prejuízo não foi coberto pelo seguro porque o serviço não estava previsto no tipo de seguro contratado. Segundo Bandeira, essa é uma cobertura acessória, que não faz parte do seguro residencial básico, mas é uma opção disponível para o cliente que deseja ampliar os seus benefícios.
Atenção às cláusulas do contrato
A especialista em seguros Paula Marques explica que a cobertura para danos causados por chuva varia de acordo com a apólice contratada. "É fundamental verificar se há cobertura específica para eventos climáticos e danos elétricos decorrentes de chuva”, explica.
Paula detalha ainda que o custo anual do seguro geralmente costuma representar pequena fração do valor do imóvel e dos bens protegidos. “Uma única geladeira, sofá ou equipamento eletrônico pode representar investimento alto. Em caso de perda total por alagamento, a reposição pode comprometer a renda da família. O seguro transforma esse risco imprevisível em custo planejado”, afirma.
Segundo a especialista, a assistência emergencial (como o envio de eletricista e encanador para a residência atingida) pode reduzir prejuízos e acelerar a recuperação do imóvel.
Auxílio para famílias afetadas pelas chuvas
Em Pernambuco, famílias de baixa renda atingidas pelas fortes chuvas também poderão recorrer ao novo auxílio emergencial criado pelo Governo do Estado. A governadora Raquel Lyra sancionou a lei que prevê o pagamento de R$ 2,5 mil, em parcela única, para moradores que tiveram perdas materiais nos 27 municípios em situação de emergência.
O benefício será destinado exclusivamente às famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) e que comprovem os prejuízos causados pelas chuvas. Segundo o governo estadual, até 3,5 mil pessoas poderão ser contempladas, em um investimento total de R$ 8,7 milhões. O levantamento dos beneficiários ficará a cargo da Secretaria de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas (SAS), em parceria com a Defesa Civil.