° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Com máxima histórica, Ibovespa chega aos 209 mil pontos; veja o que diz economista

Especialista afirma que eleição é o principal fator para o feito; desde março de 2000 a bolsa não subia dessa forma

Por Raianne Romão

O Ibovespa terminou o dia com uma queda de 0,51%

O Ibovespa ganhou mais de 17 mil pontos nesta segunda-feira (5), atingindo a máxima histórica de 209,6 mil pontos e com uma alta de quase 9% em um único dia. Simultaneamente, o dólar despencou para R$ 4,98 e os juros de longo prazo caíram quase 1 ponto percentual.

De acordo com o economista Wagner Brito, a explicação para tal feito está nas Eleições Gerais de 2026. "O que explica o tamanho da alta é a surpresa: dias antes, Lula liderava em 10 de 13 pesquisas. E o mercado não reage ao fato em si, reage à diferença entre o que esperava e o que aconteceu. Hoje essa diferença foi grande", comenta em entrevista ao Diario.

O analista afirma ainda que o cenário das contas públicas mexe com o mercado financeiro. A campanha de Flávio propôs cortar cerca de R$ 300 bilhões em gastos para controlar a dívida. "O raciocínio do mercado é este: com as contas mais arrumadas, o risco cai. Com menos risco, os juros caem. E com juros mais baixos, as empresas passam a valer mais", explica.

O economista pondera, no entanto, que "cortar R$ 300 bilhões numa economia que já desacelera pode custar emprego e renda". Dessa forma, quando o corte é rápido, costuma sobrar para áreas como infraestrutura, ciência e educação.

Wagner chama atenção também para o impacto no câmbio: "Um real forte demais por muito tempo também machuca a indústria. E boa parte do dinheiro veio de fora. Um dinheiro que entra rápido e sai rápido", diz.

"Dá até para fazer a conta. A bolsa estava barata, a umas 9 vezes o lucro. Uma queda de quase 1 ponto no custo do dinheiro já justifica uma alta de 8% a 10%. O mercado não enlouqueceu, só fez essa conta rápido. Isso aparece nas ações", acrescenta Brito. Ele ainda comenta que as empresas exportadoras, como Vale e Suzano, caíram com o dólar mais barato. "Não foi uma alta de tudo: foi o mercado recalculando o risco Brasil", afirma.

Guerra entre EUA e Irã e outros fatores foram base para recorde do Ibovespa

O economista afirma que o recorde não aconteceu da noite para o dia, mas sim de forma gradual. O primeiro semestre de 2026 foi iniciado com o mercado estrangeiro colocando milhões de reais na bolsa. Além disso, a bolsa chegou a perder mais de 16 mil pontos com o conflito entre Estados Unidos e Irã.

Já no segundo semestre, a situação mudou com o cessar-fogo e com a taxa Selic caindo para 13,75%. Com isso, o mercado se recuperou e começou a se posicionar para a eleição. "No ano, a alta já é de uns 30%", afirma.

Wagner analisa que há motivos para cautela, pois nada mudou estruturalmente na economia da última sexta-feira (2) para esta segunda-feira (5), a não ser a perspectiva de uma melhora. "Mudou a expectativa, e bolsa que sobe por expectativa fica refém dela. Se o plano fiscal travar, a queda pode ser tão rápida quanto a subida", reflete.

"Nossa credibilidade depende de quem está no poder", diz economista

Para Wagner, a alta da bolsa beneficia poucos diretamente, enquanto o peso do ajuste costuma cair "sobre quem mais depende do serviço público".

"Talvez o ponto mais incômodo seja este: em países com regras fiscais sólidas, uma eleição não faz a bolsa subir 9% em um dia. Isso mostra que a nossa credibilidade ainda depende de quem está no poder", aponta.

O especialista conclui que o recorde desta segunda-feira (5) é "uma aposta no futuro" que tem probabilidades de dar errado. "O que vai importar de verdade é se o Brasil consegue arrumar as contas, crescer e levar esse crescimento a mais gente, seja quem for o vencedor no dia 25", finaliza.