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Ao dobrarem apostas, Flávio e Lula surpreendem até aliados

Líder do governo no Senado, Teresa Leitão critica demora de Flávio para se posicionar. Para Mendonça, ao aceitar desafio, candidato do PL "neutraliza" o avanço do mandatário do Planalto nessa pauta

Por Renata Bezerra de Melo

A senadora Teresa Leitão (PT) e o ex-ministro da Educação Mendonça Filho (PL)

Aliados do presidenciável Flávio Bolsonaro podiam apostar que ele não encararia o desafio proposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quebrar sigilos bancários e telefônico. A iniciativa do petista chegou a ser tachada de “demagogia” e “bravata” por membros da direita.

Nesta quarta (21), três dias após o mandatário do Planalto propor a abertura dos dados, o candidato do PL acenou positivamente, mas com uma condição: a ampliação do escopo da autorização enviada pelo líder-mor do PT ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Após a jogada do senador, integrantes do governo petista também apostaram que Lula não “morderia a isca”. Mas foram igualmente surpreendidos.

No mesmo dia, através de um dos coordenadores de sua campanha, Camilo Santana, o petista sinalizou que não faria oposição ao proposto pelo adversário. Registrou, no entanto, estranhar que o herdeiro de Jair Bolsonaro tenha excluído a empresa Alcazar da lista de pessoas jurídicas que teriam o sigilo derrubado. A mesma é de propriedade do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio.

O movimento do presidenciável do PL se deu um dia após Lula condicionar a participação no debate da TV Globo à hipótese de o senador aceitar o desafio. Coordenador da campanha de Flávio em Pernambuco, Mendonça Filho classificou de “ridículo” Lula exigir quebra de sigilo como condição para o debate desta sexta (23) ocorrer. E elevou o tom: “O único ladrão no Brasil declarado, reconhecido em três instâncias, é ele”. Faz referência aos casos investigados no âmbito da Operação Lava Jato, cita o sítio de Atibaia, o tríplex do Guarujá. O STF anulou as condenações em 2021. Mendonça argumenta: “Anularam numa manobra política”.

Após Flávio afirmar que levaria o desafio “até as últimas consequências”, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão, criticou a demora do senador para se posicionar: “Ele passou três dias para responder e ainda responde, desviando do assunto”. Em seguida, emendou: “Ele está querendo se safar”.

Ainda na análise dela, o candidato do PL “não respondeu ao desafio”. Mesmo assim, Lula dobrou a aposta. Nesta quarta (21), Camilo Santana admitiu que o adversário protocolou, no TSE, “uma série de condicionantes, uma tentativa de manobra em relação ao que o presidente colocou para mostrar claramente quem é o ladrão e quem não é o ladrão nesse país”. Mas não se opôs: “A única resposta que o presidente tem é dizer ao candidato que não se opõe a absolutamente nada”.

Na campanha do petista, se avalia que Lula conseguiu colocar Flávio “no canto da parede”. Para Mendonça, a aceitação de Flávio “neutraliza” o avanço de Lula nessa pauta. A quatro dias do pleito, o parlamentar endurece: “Isso é o esperneio final na iminência da derrota política”. A conferir.

Bloquinho

Desembarcam em Pernambuco, nesta quinta (22), os deputados Nikolas Ferreira e Gustavo Gayer, o deputado federal eleito Lucas Pavanato e o senador eleito Marcel Van Hattem para protagonizarem o “Bloquinho 22” em apoio a Flávio Bolsonaro. O evento carrega promessa de ser o maior ato da campanha do presidenciável do PL no Estado. A concentração será às 19h22, na Pracinha de Boa Viagem.

Missão

No PT, a regra para o segundo turno é trabalhar a rejeição e abstenção. A soma dos dois é o que o diretor da Quaest, Felipe Nunes, define como alienação eleitoral. No primeiro turno, mais de 33 milhões de eleitores não compareceram para votar e quase seis milhões não escolheram nenhum dos candidatos. “Se superar isso, ele está eleito”, pondera uma fonte da campanha do presidente Lula, comemorando amostra Quaest, divulgada nesta quarta-feira (21), que apontou queda de seis pontos na rejeição do petista. Movimento similar foi trilhado por Dilma Rousseff em 2014.

Às vésperas

A nova rodada da Quaest mostra que a rejeição do presidente Lula recuou de 53% a 47% em uma semana. No caso do senador Flávio Bolsonaro, o mesmo índice oscilou de 54% a 52% no mesmo período. Na campanha de Flávio, se questiona que os números não batem com os trackings e que não há motivo aparente para essa rejeição de Lula ter caído assim. Do outro lado, na campanha do PT, se considera que "o segundo turno é a campanha da rejeição" e que há trabalha árduo em cima disso agora.

Caça aos indecisos

Ainda segundo o levantamento, Flávio tem 45% (tinha 46%) das intenções de voto, enquanto Lula tem 44% (tinha 44%), o que representa empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais. Se o índice de 9% se manteve para votos branco, nulos e pessoas que não vão votar, os indecisos subiram de 1% para 2%. É nesse conjunto que as campanhas esperam agir. Essa foi a primeira pesquisa do instituto feita após o primeiro debate na TV, promovido pela Band.

Emendas na mira

No PT, já se dá como certo que qualquer das emendas relativas à maioridade penal, seja a apresentada por Rogério Marinho, ou a de autoria de Camilo Santana, será rejeitada. Após Davi Alcolumbre retirar de pauta a PEC da Segurança Pública, se deu consenso no governo de que nenhuma emenda será discutida no âmbito da PEC.