"Essa é a eleição do detalhe e não podemos errar", alerta Anderson Ferreira
Presidente estadual do PL acena positivamente para o fim da escala 6x1, aprovado nesta quarta (14). Sinaliza que, internamente na sigla, isso já era ponto pacífico e chama a atenção para o caráter da disputa em que cada minúcia conta. Primeira Quaest para o 2º turno retrata isso
"Esse assunto do fim da escala 6x1 já era vencido e nós não poderíamos entrar nesse tipo de debate”. O argumento é do presidente do PL em Pernambuco, Anderson Ferreira. O dirigente faz a análise um dia após Flávio Bolsonaro declarar voto a favor da PEC que trata da redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais - defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, até a terça (13), tachada de eleitoreira pelo presidenciável do PL.
“Não já foi aprovado pela Câmara Federal?”, pontuou Anderson Ferreira à coluna, acenando positivamente à PEC do fim da escala 6x1, pouco antes de a proposta também ser aprovada no Senado, em dois turnos, nesta quarta-feira (14). O placar se repetiu: 75 votos a favor e só um contrário.
A larga margem a favor da bandeira levantada pelo governo se deu no dia em que a primeira pesquisa Quaest para o 2º turno apontou que o tema, assim como a proibição da operação legal das bets no País, figura entre as propostas do atual presidente e candidato à reeleição com maior aprovação entre os eleitores.
Conforme o levantamento, o fim da escala 6x1 tem aprovação de 61% dos entrevistados que tinham conhecimento sobre a medida. A pesquisa também expõe o quanto o “detalhe” se impõe na atual disputa. A amostra aponta Flávio com 46% das intenções de voto, contra 44% de Lula. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, o quadro é de empate técnico.
Se Flávio é rejeitado por 54% dos eleitores, o petista tem rejeição de 53%. Os eleitores também estão divididos quando se trata do medo em relação à vitória de um deles. Se 43% temem a reeleição de Lula, outros 43% manifestam medo da volta da família Bolsonaro ao poder. Os números refletem o alerta feito pelo dirigente do partido de Flávio em Pernambuco sobre a relevância de cada minúcia no processo.
“Já viu o PT fazer conta para fazer promessas?”, provoca Anderson sem entrar em detalhes. O detalhe é que a campanha de Flávio tem defendido um ajuste de 1,5% do PIB, algo em torno de R$ 200 bilhões, a partir da contenção de despesas.
Segundo Anderson, o “maior desafio”, agora, é “permitir aos brasileiros conhecerem as propostas” do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Isso exige ainda que Flávio não pregue só para convertidos, outro detalhe a se considerar, sem abrir flancos na reta final.
Exemplo
Ao alertar que cada detalhe importa numa eleição acirrada, Anderson Ferreira cita a disputa estadual como exemplo. “A gente viu isso acontecer em Pernambuco. O movimento que João (Campos) fez: jogou 30% do eleitorado de direita no colo de Raquel Lyra de graça”, compara.
O que não fazer
Anderson Ferreira recorre à leitura de que candidatos apoiados por Lula não necessariamente venceram em disputas anteriores no estado. Menciona os apoios do presidente a Danilo Cabral, Humberto Costa e Marília Arraes como exemplos. O deputado federal eleito considera que essa estratégia do socialista, de apostar antecipadamente as fichas no alinhamento com Lula, montando chapa integralmente à esquerda, pode ter sido erro determinante.
Gás
Entre aliados do presidente Lula, a pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (14), foi vista com bons olhos e como termômetro do fôlego extra que tomou conta da base nos últimos dias. "Vejo o que o clima das ruas e das redes está dizendo: que a campanha de Lula está em franco crescimento e a campanha de Flávio está parada", assinala, à coluna, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, cuja residência, em Brasília, sediou a reunião de alinhamento para o 2º turno de todos os ministros do governo há cerca de 10 dias..
Convergência
A fala de Wolney Queiroz sintoniza com a do presidente nacional do PSB, João Campos, que, após reunião, em Brasília, nesta terça-feira (13), com dirigentes de siglas aliadas da campanha Lula-Alckmin, adotara tom similar ao apontar: "curva ascendente, de crescimento da mobilização digital, da presença cada vez maior nas ruas de todo o país e de um sentimento de vitória que se consolida a cada dia”.
Sem interstício
Coube à líder do governo no Senado, Teresa Leitão, recolher 56 assinaturas no requerimento em prol do calendário especial, que permitiu a PEC do fim da escala 6x1 ser votada em dois turnos nesta quarta-feira (14). Aprovado o requerimento, a proposta não precisou esperar o prazo de cinco dias úteis para votação em segundo turno. O avanço se deu sem interstício.
Articulação
O documento, articulado pela líder do governo Lula, visando à votação em dois turnos, contou com o apoio de nove partidos e três blocos, totalizando 56 senadoras e senadores representados, número superior ao exigido.