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Em Brasília, João vai à mesa com Lula, que mira: abstenção, indecisos e Segurança

Ex-prefeito desembarcou em Brasília para se debruçar sobre estratégia da nova fase da campanha presidencial. Uma vitória, ou não do petista, pode ter impacto a longo prazo na projeção nacional do socialista

Por Renata Bezerra de Melo

Em Brasília, João Campos debate com Lula estratégia para o 2º turno

A reunião começou por volta das 17h30 em um hotel da Asa Sul. Menos de 24 horas após se deparar com o resultado desfavorável da eleição em Pernambuco, o ex-prefeito do Recife, João Campos, desembarcou em Brasília, já nesta segunda-feira (05), para assumir papel em outra disputa, agora com o presidente Lula.

À mesa na capital federal, além dele e do líder-mor do PT, estavam ainda os dois nomes vitoriosos na corrida pelo Senado em Pernambuco: Humberto Costa e Marília Arraes. Líder do governo no Senado, Teresa Leitão, também participou.

Em foco, a estratégia do 2º turno do petista. Uma vitória, ou não, de Lula pode ter impacto direto, a longo prazo, na projeção nacional de João Campos. No radar para os próximos 20 dias, está a busca dos 6% do eleitorado que apertaram branco na urna ou anularam. No caso de Pernambuco, votaram em branco 1,85% (109.491) e nulo, 3,39% (200.554). Considerando o País como um todo, Lula mirou a larga abstenção de 21,08% (33.469.244).

“O que temos que tentar convencer? Por que 30 milhões de seres humanos não foram votar? É responsabilidade nossa devolver o interesse para eles de participar do processo eleitoral”, advertiu o mandatário do Palácio do Planalto em fala dirigida aos aliados. Lula ainda vaticinou: “Não há nenhuma razão para que a gente não seja eleito presidente da República num 2º turno”. E se dispôs a enfrentar “temas polêmicos como a questão da Segurança Pública”.

Falou em dividir responsabilidade nessa área com os estados e alertou: “O crime organizado ganhou essa parada!”. Lula realçou ainda a disposição dos governos do PT, incluindo a gestão Dilma Rousseff, de “aumentar salário mínimo acima da inflação”. E propôs: “Acho que nessa eleição a gente vai ganhar colocando, mais uma vez, o que é verdade nesse País”. Pregou um confronto de biografias, contabilizando 20 dias “para colocar para fora o que a gente devia ter colocado o ano inteiro”.

Fez referência “a desnudar o que está atrás da eleição de um herdeiro do fascismo nesse País”. Não ficou definido papel específico para ninguém na estratégia dessa nova fase da campanha. Certo que Lula está decidido a subir o tom na Segurança Pública. Ainda pretende crescer no Nordeste e buscar os indecisos.

Vai haver uma coordenação conjunta em Pernambuco, ainda a ser estruturada. Não ficou fechado. Assim, encerrado o jogo eleitoral no Estado, João Campos começou, de pronto, a se debruçar sobre o tabuleiro nacional.

Voto jovem

Mais votada (144.101 votos) do PT na primeira disputa que enfrentou para a Câmara Federal, Rosa Amorim, à coluna, informa que “as bandeiras não baixaram”. Em outras palavras, encerrado o ciclo da disputa proporcional, ela se debruça, agora, sobre uma mobilização em Pernambuco em prol da eleição do presidente Lula. Ainda ontem, comandou reunião online com parlamentares jovens eleitos. “Tivemos uma renovação muito grande”, destaca Rosa e projeta ampliar o percentual de votos de Lula no Estado, subindo para 65%, cogitando chegar a 70%. No Estado, ele obteve 63,45% contra 31,03% de Flávio Bolsonaro.

Furar a...

“Não tenho nem 30 anos”, pontua Rosa Amorim, lembrando que foi eleita para Assembleia Legislativa de Pernambuco aos 25 anos. Na análise dela, a juventude “está em disputa”, considerando, sobretudo, os resultados expressivos da extrema direita nas urnas. Cita Nikolas Ferreira, reeleito deputado federal com 3.119.318 votos, o mais votado para Câmara Federal, e Eduarda Campopiano, eleita pelo PL e mais votada para a Alesp, que, aos 23 anos, recebeu mais de 1,9 milhão de votos.

...bolha

Eduarda Campopiano chamou Erika Hilton de “homem biológico”. No X, horas após divulgação do resultado das urnas, Eduarda provocou: “Oi, Erika Hilton. Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo? Rs". Rosa Amorim diz estar em “estado de alerta nesse contra-ataque” e na garantia do estado democrático; defende ser preciso que esquerda consiga “furar a bolha” entre os jovens e argumenta que o Brasil “elegendo Flávio Bolsonaro, está legitimando isso”.

Divisão de…

Ao sinalizar a subida de tom na questão da Segurança Pública, Lula registrou que, em 1988, foi repassado, “por interesses dos constituintes, a responsabilidade da segurança para os estados”. Hoje, avalia o presidente, “ficou claro para todo mundo que o estado sozinho não dá conta da “Segurança Publica”.

…responsabilidades

“A bandidagem cresceu, o crime organizado cresceu. Entraram no poder judiciário, nos partidos políticos, nos clubes de futebol, em tudo quanto é lugar. Inclusive, funciona como multinacional”, destaca Lula, pregando o enfrentamento no 2º turno.