Voto casado é trunfo da esquerda para o Senado. Direita aposta em "sprint final"
Com oscilação positiva de Humberto Costa, ele e Marília Arraes aparecem liderando e, pela primeira vez, com o percentual exatamente igual: 19%. Na direita, há bolsa de apostas sobre reedição da experiência de 2022
Publicado: 02/10/2026 às 00:06
Marília Arraes (PDT), Humberto Costa (PT), Mendonça Filho (PL) e Eduardo da Fonte (PP) (Rafael Vieira/DP Foto)
Uma semana após a agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Pernambuco, pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (01), apontou os dois candidatos ao Senado da chapa encabeçada por João Campos liderando a disputa pela Casa Alta e, pela primeira vez, com percentuais exatamente iguais: 19%. Se Marília Arraes manteve as mesmas intenções de voto em relação ao levantamento anterior, Humberto Costa oscilou positivamente para 19% (tinha 17%). A margem de erro é de três pontos percentuais.
Nas contas da Frente Popular, são inúmeras as variáveis que pesam a favor disso. Mas, sobretudo, se aponta o voto casado como facilitador nessa equação. Na direita, se aposta que, no dia do pleito, o voto silencioso pode emergir na urna, considerando a experiência de 2022. “Eu acho que Mendonça cresce muito no dia da eleição, acho que ele tem um sprint final”, aposta o deputado federal André Ferreira à coluna.
Faz referência ao deputado federal Mendonça Filho, que figura com 12% (tinha 13%). André lembra do percentual alcançado por Gilson Machado no pleito anterior: 29,55% (1.320.555 votos). No dia 21 de setembro daquele ano, Gilson figurava com 9% das intenções de voto em pesquisa Ipec e Teresa Leitão, com 25%. Na última Ipec para o Senado, em 01 de outubro de 2022, considerando votos válidos, Teresa atingia 49% e Gilson, 15%. Daí, o cálculo que se faz no conjunto bolsonarista sobre uma eventual surpresa na abertura das urnas. Teresa Leitão foi eleita com 46,12% dos votos válidos, o que equivale a 2.061.276 votos.
Há de se ressaltar, entretanto, que, ali, a eleição era de um voto só. Este ano, além de haver duas vagas por Estado em jogo, candidatos ainda botam na balança uma divisão latente no campo da direita. Mendonça advertiu, ao seu eleitorado, em ato no último dia 16 de setembro, que votar em Eduardo da Fonte era o mesmo que tirar voto seu. O progressista, na Datafolha divulgada nesta quinta (01), aparece com 10% (tinha 10%).
“Se fosse uma campanha de um voto só, eu acreditava num salto na reta final”, observa, à coluna, uma fonte da Frente Popular, apontando a unidade entre Humberto e Marília como trunfo da ala liderada pelo ex-prefeito do Recife. “Desde que Lula veio, se deu um efeito, porque Marília e Humberto Costa casaram as campanhas e passaram, cada um, a pedir voto para o outro de forma mais intensa”, aponta um parlamentar que acompanha a evolução do cenário.
Ao condenar o voto em Eduardo da Fonte, Mendonça recomendou, ao eleitor, voto em Carlos Sant'anna, que figura com 2% (tinha 2%). No mesmo palanque de Eduardo, liderado por Raquel Lyra, Túlio Gadêlha tem 5% (tinha 6%). A três dias do pleito, a estratégia do voto casado, associada ao efeito Lula, parece valer a favor da Frente Popular.
Bolsa de apostas
No ato que comandou em Pernambuco há uma semana, o presidente Lula, ainda que sem citar nome, disparou contra Mendonça Filho em sinal da prioridade que a disputa pelo Senado tem representado no pleito atual. Na ala da direita, há quem considere que isso ajudou o postulante do PL. E há também quem avalie que não alterou em nada. “Não atinge, que não é o mesmo eleitor”, argumenta André Ferreira.
Cálculo
Entre aliados do presidente Lula, se faz a seguinte leitura: há uma briga, hoje, relativa à composição do Senado e a direita fazer uma maioria seria um entrave para governabilidade, caso Lula seja reeleito. Por essa lógica, Mendonça Filho, aliado de Flávio Bolsonaro, é visto como a pior alternativa por esse campo. Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha são tidos como opções mais palatáveis. Por esse motivo, argumentam parlamentares da base, Lula centrou munição em Mendonça.
Encerramento
Candidato a vice de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar desembarca em Pernambuco no próximo sábado (03) para o encerramento da campanha em ato marcado para as 13h, na Avenida Boa Viagem. A agenda foi confirmada por Gilson Machado nesta quinta-feira (01). Gaspar carrega a missão de reforçar palanques no Nordeste e tem boa relação com Mendonça Filho que concorre ao Senado, formando o palanque de Flávio em Pernambuco.
Termômetro
Pesquisa Quaest, divulgada na última terça-feira (29), aponta Lula com 58% (tinha 54%) das intenções de voto em Pernambuco contra 20% (tinha 21%) de Flávio Bolsonaro. “Eu acho que Flávio vai ter mais voto do que o pai aqui no Estado. Tem gente que votava em Lula votando em Flávio. Temos feito motociatas diárias e temos aferido isso”, aposta André Ferreira. Em 2022, Jair Bolsonaro teve 33,07% dos votos válidos no 2º turno em Pernambuco, o que equivale a 1.798.832 e Lula, 66,93% , equivalente a 3.640.933.