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Raquel Lyra: "Quem disso usa, disso cuida"

Governadora comenta exoneração de Amisadai, acusado de comandar suposto "gabinete do ódio", e diz ter adotado medidas jurídicas

Por Renata Bezerra de Melo

Raquel Lyra foi a última candidata ouvida na série de sabatinas promovida pelo Diario de Pernambuco com os postulantes ao Palácio das Princesas

A governadora Raquel Lyra não arrodeia. A senhora foi surpreendida pela declaração desse ex-servidor? De pronto, ela devolve: “Fui!”. Pouco antes, advertira: “Sobre a reportagem da Record, nós estamos tomando os meios jurídicos necessários para poder garantir que a verdade possa sempre prevalecer”. A fala diz respeito ao caso envolvendo Amisadai Andrade da Silva.

Até o dia anterior, ele era lotado na Secretaria de Turismo do Estado. A exoneração foi publicada no Diário Oficial de ontem após o mesmo aparecer em matéria, veiculada em rede nacional, declarando o seguinte: “O Governo do Estado enxergou a gente como um canal de, na época, para a gente tentar desidratar ele (João Campos)”. O serviço teria sido pago, segundo a reportagem, através de contratos com a administração estadual.

Durante a terceira sabatina da série promovida pelo Diario de Pernambuco com os candidatos ao Palácio das Princesas, a chefe do Executivo estadual foi taxativa: “Agora, querer dizer que ele conversou comigo, ele vai estar muito distante disso. Quero ver provar, eu quero ver prova”. A reportagem ensejou um vídeo do adversário dela, João Campos, publicado também ontem na rede social dele.

Ele, por sua vez, disse ter sido “surpreendido por uma matéria da Imprensa nacional”. E emendou: “Que revela e comprova a existência desse gabinete do ódio, e o que é mais grave; é que um próprio servidor relata que as decisões são tomadas dentro do Palácio do Governo. Isso é criminoso”.

O socialista, então, argumenta: “Não vale tudo na política, ou numa eleição”. Raquel relatara sofrer ataques “de maneira sistemática, por perfis, por pessoas” desde 2022, disse falar “muito pouco sobre isso” e “muito menos do que deveria falar no momento”.

E, recorrendo à expressão quase idêntica à adotada pelo ex-prefeito, foi incisiva: “Para mim, não existe vale tudo do poder!”. Informada sobre a coincidência na linguagem que os dois vêm adotando, Raquel, de pronto, devolveu: “Quem disso usa, disso cuida!”.

Governadora vê inverdades

Indagada sobre o porquê de o servidor denunciado estar vinculado à pasta de Turismo, Raquel Lyra colocou o seguinte: “Olha, a gente tem um governo, composto por não sei quantos mil cargos comissionados e cargos efetivos. Essa é uma área que, especificamente neste caso, está sob o comando, hoje, de Roberto Asfora, antes de Kaio Maniçoba. Na Arena Pernambuco, a gente tem um trabalho sendo feito lá. A pessoa foi indicada, e a gente nomeou, e ela foi exonerada porque aparece colocando inverdades e todas as medidas que forem colocadas nesse sentido, inclusive a da exoneração e da busca da verdade ser colocada à vista das pessoas, a gente vai fazer”.

Influencer

Após ir à mesa no Bar do Geraldo, Raquel Lyra, que virou fã do omelete do lugar, viu a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, ter repostado publicação sua. A senhora sabia? "Claro que não, né? Claro que não sabia!". A governadora, que tem evitado rótulos sobre campos políticos, disse que foi surpresa para ela. Questionada se as duas chegaram a se falar, ela: "Não tenho o contato dela".

O cardio dela

Indagada se tem conseguido fazer exercício em meio ao ritmo acelerado da campanha, Raquel Lyra, bem-humorada, sapeca: “O cardio na rua”. Vez por outra, aparece em vídeos, literalmente, correndo. A tiracolo, carrega uma caixinha de som. Ouve música toda hora. “Mas, às vezes, boto no ouvido sem nada só para silenciar mesmo”, conta.

Day after

Um dia depois da exoneração de Amisadai Andrade ser publicada no Diário Oficial, a Frente Popular marcou coletiva para anunciar, nesta quinta-feira (27), a adoção de medidas do departamento jurídico contra o chamado Gabinete do Ódio. O PSB aponta rede coordenada de ataques ao candidato João Campos. Segundo reportagem veiculada pela Record, a rede opera páginas nas redes sociais financiadas com recursos estaduais.