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Raquel vai à mesa com Carlos Santana

Neutro na disputa até o momento, o prefeito almoça com a governadora e encontro tem potencial de resultar em composição

Por Renata Bezerra de Melo

Após acenos e conversas prévias Carlos Santana e Raquel Lyra podem caminhar juntos na eleição

Prefeito de Ipojuca, cidade que detém o terceiro maior PIB de Pernambuco, situada a 43 Km da Capital, Carlos Santana, até o momento, não declarou seu voto na corrida pelo Governo do Estado. Após alguns acenos feitos pela gestão Raquel Lyra e algumas conversas prévias, o gestor vai à mesa, neste domingo (23), com a governadora em um almoço com potencial de selar uma aliança. Nos bastidores, entre aliados dos dois gestores, cresce uma bolsa de apostas dando conta de que essa neutralidade do chefe do executivo municipal não deve se prolongar.

No governo Raquel Lyra, se faz uma conta de três municípios, de um total de 14, que compõem a RMR, cujos gestores não constam na base de apoio da administração estadual. Carlos Santana figura entre eles, mas com uma diferença sensível para os demais: nas hostes palacianas, ele recebe um carimbo de “neutro”, enquanto Lula Cabral (Cabo) e Vinícius Labanca (São Lourenço da Mata) figuram entre os que apoiam o candidato do PSB, João Campos.

No conjunto comandado por Carlos Santana, auxiliares próximos recorrem à mesma expressão para classificá-lo: “neutro”. Se ainda não há aliança formal, os grupos liderados por Raquel e pelo prefeito de Ipojuca já soam alinhados nesse ponto: adotam uma linguagem comum.

Na esteira, interlocutores da governadora não apontam obstáculos a uma composição, e até argumentam, em reserva, que “o que vier para somar é positivo”. Admitem que os grupos adversários em Ipojuca “não se misturam”, mas ponderam que não seria a primeira cidade em que teriam o apoio “dos dois lados”. Leia-se: Raquel Lyra filiou, este ano, o grupo da ex-prefeita, Célia Sales, ao PSD.

Em outras palavras, há ciência, no governo, de que uma composição conduzida pela governadora com Carlos Santana não implicaria em um cenário de harmonia entre os rivais a nível local.

Postos esses pontos, há um cenário de 2028 no radar, e isso pesa para o prefeito, que será candidato à reeleição e desfruta de avaliação positiva. Aliados da governadora, com avaliação também elevada, ponderam o seguinte: “2028 passa por 2026”. O assunto, naturalmente, vai à pauta no almoço amanhã, quando Carlos Santana recebe Raquel Lyra em sua residência, em Ipojuca.

Pontos de vista

“O pior cego é aquele que não quer ver”. A avaliação é de uma fonte da Frente Popular, feita à coluna após o senador Humberto Costa avaliar não ser possível tachar o palanque de Raquel Lyra de bolsonarista. “Até Michelle Bolsonaro curte Raquel”, observa a mesma fonte em referência ao episódio da última quinta-feira (20) à noite, quando a ex-primeira-dama repostou a gestora do PSD em seu instagram.

Releitura

Em paralelo à reação na Frente Popular, nas hostes do PT, se relata que uma nova leitura passou a ser feita sobre o palanque da governadora Raquel Lyra após Lula ser vaiado em atos comandados por ela. A campanha do líder-mor do PT anota que as vaias tem se dado quando o candidato ao Senado, Túlio Gadêlha, cita o petista.

“Conversão” 1

O movimento de vaias dirigidas a Lula, argumenta uma fonte petista, tem feito lideranças do PT nacional apontarem “uma conversão de Raquel”. Por essa “conversão”, entendem que o palanque dela estaria mesmo se vestindo de ares de bolsonarista.

“Conversão" 2

Nessa conta, além do repost de Michelle Bolsonaro, a presença de Raquel Lyra ao lado da deputada federal Clarrissa Tércio em Congresso de Mulheres da Assembleia de Deus Novas de Paz também foi anotada por petistas. Tércio chegou a ser convidada pelo presidenciável Flávio Bolsonaro para compor a vice na chapa dele.