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"Timing" pesa contra Caiado, dizem aliados

Integrantes do PSD realçam que o presidenciável ingressou na sigla "na reta final", dificultando a construção de palanques nos estados

Por Renata Bezerra de Melo

Na visão de correligionários, Ronaldo Caiado se filiou quando as costuras nos estados já estavam avançadas.

Nas hostes do PSD, partido da governadora Raquel Lyra, presidido nacionalmente por Gilberto Kassab, não se lança qualquer dúvida sobre o perfil do presidenciável Ronaldo Caiado, cuja história, sublinham correligionários em conversas reservadas, “se deu integralmente no campo da direita”. Nem os membros do partido que votam em Lula consideram a hipótese de Caiado apoiar o petista.

Se governadores da sigla têm autonomia para darem palanque ao líder-mor do PT, isso se dá, argumentam aliados de Caiado, “porque ele entrou no partido na reta final”. Referem-se ao momento em que já se ultimavam as costuras rumo ao pleito deste ano. Pernambuco é um exemplo. Raquel Lyra já havia recebido carta branca de Gilberto Kassab para construir alianças que melhor dessem suporte ao seu projeto de reeleição. A governadora aposta num palanque duplo de Lula no Estado.

“Caiado entrou no partido na reta final e virou candidato na reta final”, sublinha uma fonte ligada à governadora. O ex-governador oficializou sua filiação em março deste ano. As construções se deram pelo viés regional. Na Bahia, o senador Otto Alencar é apontado, por exemplo, como uma das alianças mais sólidas com o presidente Lula.

Na condição de dirigente do PSD no Estado, já declarou voto no petista. O partido, lá, tem seis deputados federais e um senador. No Ceará, a vice-prefeita de Fortaleza, Gabriella Aguiar (PSD), é a candidata a vice na chapa do governador Elmano de Freitas (PT). Em Sergipe, o governador Fábio Mitidieri (PSD) é candidato à reeleição com o apoio do PT e do presidente Lula.

Tais construções também miram a formação de bancadas. Nesta terça (18), Ronaldo Caiado voltou a negar um eventual apoio ao PT no 2º turno dessas eleições. “Sempre fui oposição ao Lula”, disse Caiado durante apresentação do Plano de Governo para a área da Saúde. “Tudo isso não ocorreria se você tivesse um candidato à presidência no momento em que essas costuras estavam ocorrendo”, justifica outra fonte do PSD. E arremata: “Se a direção resolvesse cobrar fidelidade, estourava o partido”.

Ponto de vista

A declaração de Ronaldo Caiado, nesta terça (18), se deu três dias após Gilberto Kassab, que é vice na chapa do presidenciável, afirmar que os partidos do centrão estão com Lula. Correligionários repisam o seguinte: “Kassab não vê o PSD como centrão. O que ele quis dizer foi que o centrão não foi para Flávio Bolsonaro, apesar das tentativas”. "Em estados onde a direita é hegemônica", diz um integrante da legenda, "o palanque estadual é de Caiado". E emenda: "Não lembro de um estado desses em que o PSD esteja com Flávio Bolsonaro”.

A explicar

O centrão está neutro na corrida presidencial, mas, no PSD, também se admite que houve ruído sobre isso envolvendo a declaração de Gilberto Kassab. “Há ruído e isso obriga Caiado a deixar claro sua posição”, adverte um parlamentar da sigla. Em política, vale a máxima de que tudo que se tem que explicar não é bom.

Mapa do mandato

O lançamento da plataforma digital na qual o senador Humberto Costa vai hospedar os resultados do seu mandato, espalhados em 184 municípios, que havia sido adiado na semana passada, será realizado nesta quarta-feira (19). O petista fará almoço com jornalistas com prestação de contas.

Dose de...

Em meio ao avanço do sarampo em São Paulo, onde foi identificado um surto localizado com 23 casos confirmados, a vacinação voltou ao centro do debate político após Eduardo Bolsonaro criticar a obrigatoriedade da imunização infantil — posição da qual até aliados, como Tarcísio de Freitas, se distanciaram publicamente. O próprio Flávio Bolsonaro declarou ser um "Bolsonaro vacinado". Em Pernambuco, o candidato a deputado federal Mauricio Rands (Avante) defende uma mobilização em favor da vacinação e do combate à desinformação.

...mobilização

“O Brasil tem uma história de confiança na vacinação e construiu um dos maiores programas públicos de imunização do mundo. Precisamos resgatar essa tradição e fazer um debate baseado na ciência e nas evidências”, afirmou Rands. A discussão ganha peso às vésperas do Dia D de vacinação contra o sarampo, marcado para o próximo sábado (22).