Desafio de João Campos é colar em Lula
Na Frente Popular, é consenso que saída é viabilizar agenda do petista no Estado, mas há uma fila de estados adversos ao PT na frente
O entendimento é consenso no palanque do ex-prefeito do Recife, João Campos. Diante dos números das últimas pesquisas, aliados repisam, em coro, o seguinte: o desafio do socialista é colar no presidente Lula. Em outras palavras, a despeito de ele encabeçar o palanque oficial do presidenciável petista no Estado, isso ainda não ficou tão claro para o eleitor. O próprio João Campos, em entrevista ao Programa Ponto de Vista, de Veja, na última terça (28), pontuou: “Mais de 60% não sabem que nós somos a candidatura do presidente Lula ao governo”.
De acordo com o último levantamento Genial/Quaest para o Governo de Pernambuco, divulgado na mesma terça em que ele deu a declaração, só 44% dos entrevistados tem conhecimento de que ele é o candidato de Lula. A receita que aparece, na Frente Popular, como senso comum para tornar essa aliança mais nítida é viabilizar uma agenda do líder-mor do PT em Pernambuco.
Ainda esta semana, o senador Humberto Costa, que se encontrava em Brasília desde a última segunda (27), procurou a equipe de campanha do presidente, e o assunto tem sido ventilado não só por ele. “Pelas alianças que o PSB fez nacionalmente para o PT, eu acho que Lula vem. Pernambuco é prioridade para o PSB”, observa à coluna uma fonte petista que também acompanha a montagem do xadrez.
Como a coluna registrara, pelos cálculos do próprio João Campos, o PSB ajudou, através do que ele denomina como "um movimento novo", a equacionar palanques do PT em 13 estados, além de que as siglas estão aliadas em todos os outros.
O detalhe é que, a despeito dessa relação simbiótica, em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra vem apostando em associar sua imagem ao presidente, assim como investe numa espécie de verniz de esquerda na chapa ao escalar Túlio Gadêlha como um dos candidatos ao Senado.
Essa estratégia do palanque adversário, somada ao resultado de pesquisas, acende o sinal amarelo na campanha da Frente Popular. Ainda segundo a Genial/Quaest, 47% dos pernambucanos desejam um governador aliado de Lula e 14%, preferiam um governador bolsonarista. O petista figura com 55% das intenções de voto no cenário estimulado, enquanto Flávio Bolsonaro registra 21%.
De antemão, no entanto, a campanha de João Campos tem ciência de que há palanques em estados mais adversos ao PT, que podem acabar passando na frente na fila de prioridades. Um exemplo é Minas Gerais, onde Lula arbitrou impasse no palanque, que terá Patrus Ananias (PT) concorrendo ao governo e Marília Campos (PSB), ao Senado.
A campanha só começa em 16 de agosto. Até lá, é compasso de espera. Mas Pernambuco, diferente de Minas, Ceará e Bahia, por exemplo, que já se encontram na rota de bases estratégicas a serem visitadas nos primeiros dias, ainda não entrou no roteiro.
Força-tarefa
O assunto da vinda de Lula a Pernambuco já foi levado ao presidente nacional do PT, Edinho Silva, pelo próprio João Campos e ainda pela senadora Teresa Leitão. O PT nacional sinalizara, a Humberto Costa, a presença de lideranças nacionais no Estado, já no intuito de reforçar também a campanha para o Senado, de olho na renovação da Casa Alta, que, este ano, será de dois terços.
Bate e volta
João Campos, Humberto Costa e Marília Arraes estiveram, nesta quarta (29), ao lado de Lula, na convenção do PSB nacional, em Brasília, que formalizou Geraldo Alckmin na vice de Lula e teve a presença do líder-mor do PT. Mas foi corrido. Os três já estão de volta a Pernambuco, porque, nesta quinta (30), Humberto e João recebem Título de Cidadão Olindense e Marília também será homenageada, na ocasião, com a Medalha do Mérito Aloisio Magalhães.
Fila
Ainda na Frente Popular, sobre a definição das bases estratégicas que Lula visitará, há quem, em reserva, admita o seguinte: “A vinda ao Nordeste está sendo bem monitorada, porque precisamos avançar e garantir nossa hegemonia sem desprezar o potencial de crescimento em regiões mais adversas”.
Missão
Presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira escalou os deputados federais Eduardo da Fonte e Lula da Fonte para convencerem a senadora Tereza Cristina a não ser vice de Flávio Bolsonaro. Ainda ontem, ela teria admitido a aliados que poderia aceitar o convite do presidenciável. Os progressistas ficaram em Brasília encarregados da missão. Eduardo vem defendendo neutralidade da sigla na corrida presidencial.